A “fintechzação” dos marketplaces

Por Colaborador externo | 25 de Novembro de 2019 às 13h00
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*Por Vitor Magnani

Os markeplaces estão de olho no mercado financeiro e muitos deles já se voltaram para a fintechzação. Este é um movimento esperado, basta ver o exemplo do Mercado Livre: depois de ganhar escala, o grupo entendeu que a criação de uma fintech para realizar transações dentro marketplace ajudaria a empresa. Foi aí que nasceu o Mercado Pago. Um outro exemplo de movimentação semelhante é a Via Varejo – controladora do marketplace Extra.com, que se “fintechzou”, lançando o BanQi.

Este foi um tema de amplo debate durante o Congresso O2O Innovation Experience, organizado pela ABO2O é realizado no início de novembro deste ano. Tive oportunidade de mediar painel entre grandes especialistas destas empresas e, embora veja com naturalidade esta iniciativa dos marketplaces, entendo que há inúmeras dificuldades, principalmente regulatórias.

Isso porque a partir do momento que cada marketplace compreende seu consumidor, ele começa a vender produtos eletrônicos e financeiros. Mas, independentemente de se tornar uma fintech ou não, este marketplace já é um subcredenciador, aos olhos do Bacen. Como lidar com tudo isso em um cenário no qual compradores e vendedores precisam fazer transações? Obviamente, se o próprio vendedor facilitar esta tarefa, isto pode ser positivo para as duas partes.

No início da década, os marketplaces começaram a se popularizar no Brasil. A grande dificuldade desses players era não conseguir liquidar as transações e cobrar as comissões por venda fora da plataforma. Neste momento, empresas como Mercado Livre e Lojas Americanas, por exemplo, sofriam com a inadimplência dos vendedores. Afinal, protestar valores abaixo de R$ 5 não valia a pena.

Com a regulamentação dos marketplaces pelo Banco Central, os players ganharam tração e passaram a não depender mais de adquirentes terceiros para liquidar as transações. Hoje, há um grande fluxo passando nos marketplaces, por isso criam-se fintechs. Nada mais óbvio, já que podem também entregar experiência.

Este ainda é um movimento relativamente novo, mas os especialistas acreditam que a interoperabilidade será a grande tendência para os marketplaces “fintechzados”. Apesar da dificuldade de regulação, já existem muitas iniciativas indicando o caminho a ser seguido. Veja o exemplo do Mercado Pago, interoperou os pequenos comércios e QRCode.

Acredito que a barreira já deixou de ser técnica há muito tempo.

Este é o melhor sinal de que as coisas devem avançar nos próximos anos.

*Vitor Magnani é presidente da ABO20

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