Olimpíadas de Inverno: drones FPV se destacam nas transmissões
Por Vinícius Moschen |

A edição atual das Olimpíadas de Inverno ganhou um destaque que vai além do aspecto esportivo: a transmissão com drones de visão em primeira pessoa (FPV). A tecnologia tem sido utilizada de forma ampla em diferentes modalidades, para capturar imagens dinâmicas que “acompanham os atletas”.
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De acordo com a Olympic Broadcasting Services (OBS), responsável pelas transmissões, a ferramenta entrega uma "terceira dimensão" às transmissões, em comparação com as câmeras fixas tradicionais.
Como funciona um drone FPV
Os drones utilizados nas transmissões das Olimpíadas são desenvolvidos pela Dutch Drone Gods, responsável também por equipamentos utilizados na captura de carros de Fórmula 1.
As unidades implementadas pesam menos de 250 gramas, o que é essencial para permitir a proximidade com pessoas dentro das normas de segurança. Os dispositivos atingem velocidades de até 120 km/h, o que é suficiente para acompanhar diversas modalidades de perto.
Seu design apresenta lâminas invertidas, com propulsores montados na parte inferior do chassi. Essa configuração visa melhorar a eficiência aerodinâmica e a precisão em curvas fechadas.
Cada equipamento é operado por uma equipe composta por um piloto, um diretor e um técnico. O grupo mantém comunicação direta com o caminhão de transmissão para a realização de ajustes de filtros de vídeo em tempo real.
Os pilotos trabalham em posições elevadas para garantir a manutenção da linha de visão durante o voo.
A instalação dos equipamentos varia conforme o ambiente, já que pode usar andaimes em locais fechados e soluções adaptadas ao terreno íngreme em áreas alpinas.
Drones nas Olimpíadas - principais modalidades
Nos esportes de deslize, como Luge, Skeleton e Bobsled, a tecnologia faz sua estreia histórica ao acompanhar o atleta nas primeiras três ou quatro curvas para registrar a velocidade e a precisão da linha percorrida.
Já no esqui alpino, os dispositivos perseguem os competidores em descidas íngremes. A captação foca na técnica aplicada em trechos de cristas cegas e zonas de compressão.
Durante o salto de esqui, o drone segue o atleta na rampa de decolagem e realiza um desvio no ar, para registrar o posicionamento do corpo durante a fase de voo.
Além disso, pela primeira vez, drones realizam a perseguição de patinadores por trás em arenas fechadas de patinação de velocidade. No biatlo, o recurso é aplicado na largada para mostrar a disputa por posições no pelotão.
Por serem muito leves e compactos, os drones têm baterias com capacidade reduzida. Após cerca de duas descidas, é preciso retornar à base para substituir as células.
A operação em Milão-Cortina, sedes das Olimpíadas, conta com um total de 15 drones FPV. Também são utilizados 10 drones tradicionais para capturas estáticas e de cenários.
Outras tecnologias de transmissão
Para além dos drones, a OBS ainda introduziu tecnologias de análise visual avançada em parceria com a Alibaba e a OMEGA. Um dos destaques é o sistema de Replay 360º em tempo real, que utiliza entre 20 e 50 câmeras integradas por inteligência artificial.
Na prática, a tecnologia permite capturar todos os ângulos simultaneamente, com o congelamento da imagem e a rotação total da cena. A análise estroboscópica via IA também destaca trajetórias de movimento e posições corporais em uma única sequência visual.
No total, a transmissão das Olimpíadas demanda a utilização de aproximadamente 800 câmeras.
Atletas têm opiniões mistas
A utilização de drones rápidos gera reações mistas entre atletas participantes das Olimpíadas.
A bobsledder Ashley Farquharson, por exemplo, avaliou a inovação de forma positiva, já que contribui para dar “visibilidade e dimensão real às modalidades”.
No entanto, há registros de preocupações relacionadas à segurança após a queda de um drone durante um treino de esqui downhill. O incidente resultou na presença de detritos na pista de competição.
Além disso, a snowboarder Bea Kim relatou que alguns dispositivos voam muito próximos aos atletas. O ruído agudo dos propulsores também é alvo de queixas, ao ser comparado com as vuvuzelas da Copa do Mundo de 2010.
Já a bobsledder Elana Meyers Taylor afirmou que o ângulo de visão FPV pode causar náusea em parte dos espectadores, por conta da agitação excessiva das imagens capturadas em movimento.