Comercial da IBM de 1977 promovia o primeiro computador portátil da companhia

Por Redação | 05 de Julho de 2018 às 06h50
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Embora o IBM 5150 ainda permaneça como o modelo icônico que trouxe a computação pessoal para os lares mais abastados em 1981, é fato que a coisa não começou ali. Prova disso é um comercial veiculado pela fabricante em 1977 durante um programa matinal da rede CBS; o foco era promover o seu primeiro computador pessoal e portátil, o IBM 5100.

O aparelho era então vendido como uma maravilha que pesava 22,7 quilogramas e podia “ser ligado em qualquer lugar”, a fim de auxiliar toda sorte de profissional em seus afazeres diários (de estatísticos a fazendeiros, de engenheiros a corretores de imóveis). O diferencial pode soar meio estranho para os padrões atuais. Entretanto, vale lembrar que um modelo equivalente da IBM lançado ao final dos anos 1960 poderia ocupar o espaço de duas escrivaninhas e pesar mais de meia tonelada. E, é claro, também não poderia ser plugado em qualquer tomada.

Além disso, em meados da década de 1970, o próprio conceito de “computação pessoal” ainda era algo incrivelmente novo, de forma que a portabilidade era um luxo à parte. É claro que não havia uma autonomia capaz de tornar o 5100 efetivamente portátil, mas ninguém esperaria por algo semelhante à época.

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“Bem-vinda, IBM, à computação portátil”

O título acima se refere a uma matéria publicada na revista Byte, por ocasião do anúncio do novo IBM 5100 — representando um passo além dos mainframes até então associados à marca. Juntamente com as boas-vindas, apareciam as respeitáveis configurações do novo computador portátil, entre as quais:

  • Display: um CRT de 5 polegadas diagonal, capaz de exibir 16 linhas de 64 caracteres. Havia ainda uma opção que permitia ao usuário utilizar a tela inteira ou apenas a metade esquerda ou direita, ambas com 32 caracteres. Também havia um modo de diagnóstico que exibia os primeiros 512 bytes da memória em padrão hexadecimal. Era possível ainda optar por “letras pretas e fundo branco” ou “letras brancas e fundo preto”;
  • Armazenamento: o 5100 utilizava ficas magnéticas padrão DC300, capazes de armazenar até 204 Kbytes. Embora cada modelo trouxesse apenas um drive instalado, havia a possibilidade de instalação de um extra. Ademais, os dados eram escritos em padrão de 512 bytes;
  • Monitor externo: além da telinha monocromática incluída, o 5100 também incluía um conector para acoplagem de um monitor extra. A taxa de atualização era fixa: 60 hertz;
  • Transmissão de dados: logo após revelar o 5100 ao mundo, a IBM também lançou um “adaptador de comunicações” que permitia ao portátil transmitir e receber dados de um sistema remoto compatível com o padrão IBM 2741;
  • Modelos: partindo de um preço base de US$ 9 mil, o IBM 5100 chegava até os US$ 19 mil em sua versão mais completa. Entre as principais diferenças estava o espaço de armazenamento, com 16 Kbytes, 32 Kbytes, 48 Kbytes e 64 Kbytes.
Matéria da revista Byte trata da entrada da IBM no mercado de computadores portáteis. (Imagem: reprodução/Byte)

Uma guerra era travada

Ao olhar para o passado dos computadores por meio de fotos e vídeos envelhecidos, é fácil deixar passar uma das características mais marcantes da indústria da época: os embates com os concorrentes. O IBM 5100, particularmente, conferia uma vantagem competitiva que, simultaneamente, servia como prólogo a uma das batalhas comerciais e de patentes mais notórias da década de 1980.

Com IBM e Compaq posicionadas em lados opostos de um ringue aquecido pelo boom do mercado de computadores pessoais (e inúmeros clones), os anos seguintes assistiram a uma competição que arrefeceria apenas com a aquisição da segunda pela IBM, em 2002. Parte dessa história pode ser conferida na série Halt and Catch Fire, da rede AMC (veiculada entre 2014 e 2017). Para além disso, resta aguardar para ver o que o futuro dos computadores pode nos trazer.

Fonte: IBM, Archive, All About Circuits, YouTube

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