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Vítimas do “robô do Bitcoin” Atlas Quantum pedem R$ 7 bi em ação na Justiça

Por| Editado por Claudio Yuge | 17 de Agosto de 2022 às 22h30

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envato/jirkaejc
envato/jirkaejc

Vítimas de golpe que supostamente envolvia um robô que fazia operações de Bitcoin, pedem na Justiça a devolução de R$ 7 bilhões da empresa AtlasQuantum. No processo, os investidores acusam a organização de manter em sua posse 15,2 mil BTCs dos 39 mil clientes de todo o Brasil e 200 mil em todo o mundo.

As vítimas também solicitaram 40 salários mínimos na justiça como indenização a cada um dos que foram lesados, além de danos sociais e morais coletivos desde 2019, período em que a Atlas Quantum parou de pagar seus clientes.

Além do processo, protocolado no final de julho de 2022 na Justiça de São Paulo, também existem outras ações penais na Justiça Federal contra a Atlas Quantum, além de investigações na Polícia Civil de São Paulo, na Polícia Federal, em SP, e na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Mas nenhum dos processos foram concluídos.

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Jorge Calazans, do escritório Calazans Vieira Dias Advogados, especialista em defesa de vítimas de fraudes financeiras e responsável pela ação civil pública, explicou que a petição principal do atual processo é para que Rodrigo Marques, proprietário da empresa, devolva tudo o que foi captado por ele dos investidores.

O processo também relaciona outras empresas ligadas a Atlas e reivindica na justiça que associados da organização sejam responsabilizados caso tenham se beneficiados de forma ilegal com o dinheiro das vítimas. O advogado comentou também que além da acusação de crimes financeiros que já são investigados, ainda existe a denúncia de prática de pirâmide financeira.

"O que ocorria era um falso anúncio de investimento que gera rendimento, mas nada mais era do que a entrada de novas pessoas que sustentavam as mais antigas no esquema", explicou Jorge Calazans.

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Como a Atlas Quantum funcionava?

A empresa Atlas Quantum oferecia investimento baseado em Bitcoin e um rendimento diário sobre cada BTC investido. Os usuários eram indicados por clientes que já utilizavam os serviços da organização ou eram captados por propagandas em rede nacional nas principais redes de comunicação.

A organização cobrava 50% sobre o rendimento obtido. Isso quer dizer que, se, em um mês, a plataforma render 20%, a Atlas ficava com 10% e o cliente com 10%. O robô da empresa investia os Bitcoin dos clientes utilizando uma estratégia chamada “arbitragem de alta frequência”.

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Vale destacar que esse tipo de negociação existe desde 1998 e hoje é um serviço relativamente comum, oferecido em bolsas de valores ao redor do mundo. O serviço tem até uma sigla, HFT, que em inglês significa High Frequency Trading.

Esse tipo de negociação de “alta frequência” são operações de compra e venda de ativos centenas de vezes por minuto por meio de um programa de computador, um “robô de arbitragem”.

Inicialmente a Atlas pagava normalmente seus clientes, no entanto, após a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) descobrir irregularidades e proibir as operações, começaram as solicitações de saque e o sumiço de novos clientes, causando o fim do suposto esquema de pirâmide, deixando o prejuízo para as vítimas.

Fonte: Folha