Telegram quer levantar US$ 1,2 bilhão com a Gram, sua criptomoeda própria

Por Redação | 16 de Janeiro de 2018 às 09h53
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Enquanto você lê este texto, o Telegram se encontra em meio à primeira parte de sua oferta inicial de moedas virtuais, com o lançamento de uma modalidade financeira e também da tecnologia que deve fomentar os próximos anos de operação de toda a plataforma. A iniciativa, que leva a empresa para além de soluções de mensageiro instantâneo, deve levantar pelo menos US$ 1,2 bilhão em financiamento.

Esse montante deve vir em duas fases. Os primeiros US$ 600 milhões chegam por meio de uma oferta privada de suas criptomoedas, a Gram, para investidores parceiros, empresas de capital e outros convidados pessoalmente pela diretoria do Telegram e associados, em um processo que está em andamento e vai até o final de fevereiro. Depois, em março, abrem-se as portas para todos os interessados, com mais US$ 600 milhões em arrecadação previstos, simplesmente, pela confiança do público a partir da presença de grandes nomes do mercado de investimentos.

As informações constam em documentos vazados pela imprensa norte-americana nesta terça-feira (16), que detalham todo o planejamento da empresa do russo Pavel Durov na empreitada que promete ser a maior oferta inicial de moedas do mundo. De longe, na realidade, já que a maior realizada até agora, em setembro do ano passado, levantou US$ 257 milhões para a Filecoin, que deseja criar um sistema de armazenamento de arquivos baseado na tecnologia de blockchain. A iniciativa do Telegram deve arrecadar mais do que o dobro disso apenas na fase de “pré-venda”.

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Aqui, entretanto, existem algumas regras. Os investidores iniciais devem colocar, no mínimo, US$ 20 milhões na novidade mediante um desconto de 50% na compra das primeiras moedas. A redução é progressiva, podendo chegar a até 70% caso alguém deseje realmente apostar na tecnologia. No lançamento final, a expectativa é de que cada unidade custe entre US$ 0,97 e US$ 1, com cinco bilhões delas sendo liberadas no total. Quem apostar na fase de pré-venda, entretanto, pode ter de ficar de três a 18 meses sem vender, de acordo com a oferta recebida.

Grandes, também, são os planos de Durov com a iniciativa. Além do óbvio – a criação de um sistema de pagamentos e envio de dinheiro entre os mais de 170 milhões de usuários da plataforma de mensagens –, a ideia é trabalhar com aplicações web, com a blockchain da Gram sendo utilizada para armazenamento de arquivos, funcionamento de aplicativos online descentralizados e, principalmente, VPNs para navegação segura e que funcionem como alternativas em países com censura estatal.

Pavel Durov é o homem por trás do Telegram (Foto: Fortune)

É o que a empresa chama de Telegram Open Network (TON), algo que, sem modéstia, ela enxerga como uma das grandes aplicações da tecnologia das criptomoedas para as massas. E se tem alguém capaz de fazer isso é Durov, que, nas 132 páginas do documento vazado, demonstra que sua empresa já tem o pessoal e a iniciativa necessários para isso. Falta só a tecnologia, que ainda está em desenvolvimento.

Conforme comentaram especialistas que tiveram acesso aos papéis, a ideia por trás da TON é mais teórica do que prática – mas completamente possível. A rede terá escalabilidade e velocidade por meio de aplicações de nomes complicados, como Infinite Sharding Paradigm e Instant Hypercube Routing, mas que, na prática, significam uma divisão e fusão automática de blocos de acordo com a demanda, o que acabará com filas de espera e agilizará a expansão da blockchain durante sua utilização e processo de validação.

Além disso, existe o que os documentos chamam de “fator de cura”, um sistema que permite a substituição de blocos irregulares por válidos, de forma que a rede não precise se dividir e ocupar mais espaço do que o necessário. Tudo, promete o Telegram, funcionando de maneira a contar com o máximo de eficiência energética e em termos de armazenamento possível.

Os recursos necessários para que tudo isso funcione também estão elencados nos documentos. Das cinco bilhões de Grams liberadas na primeira fase dessa iniciativa, 10% do total vai financiar seu desenvolvimento, com mais 4% dedicado única e exclusivamente para o pagamento de salários de programadores e outros responsáveis. Do restante, 44% será o volume negociável, enquanto a própria Telegram ficará com os outros 42%, que servirão de lastro e também como uma forma de evitar especulação, principalmente nos estágios iniciais de desenvolvimento da criptomoeda.

O lançamento final das Grams está previsto para acontecer em dezembro deste ano, com uma listagem pública, em câmbios tradicionais, marcada para ser iniciada entre janeiro e março de 2019, de acordo com a demanda do público em geral. Antes disso, ainda em 2018, entram em funcionamento a rede TON e também o que a empresa chama de Telegram Wallet, dois requisitos essenciais para a liberação pública. Por fim, os serviços de hospedagem, VPN e tudo mais começam a operar até o fim do primeiro semestre do ano que vem.

O Telegram não falou publicamente sobre o assunto, apesar de que pouca coisa, além de uma confirmação, poderia vir da boca da empresa. Enquanto isso, envolvidos na pré-venda de moedas confirmaram à imprensa internacional que esse processo já está em andamento e a veracidade dos documentos obtidos. Levando em conta o cronograma, pode levar algumas semanas até que Durov venha a público com esse assunto.

Fonte: TechCrunch

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