Pesquisa sugere que ascensão astronômica do Bitcoin foi uma fraude

Por Patrícia Gnipper | 13 de Junho de 2018 às 15h40

Muito se fala sobre a "bolha" das criptomoedas, com alguns mais céticos enxergando a coisa como se fosse mais uma pirâmide. Segundo os críticos, a bolha especulativa é conduzida por pessoas que se aproveitam de investidores que botam fé na novidade — e agora um novo estudo reafirma essa suspeita.

Pesquisadores da Universidade do Texas entenderam que ao menos metade da alta do Bitcoin no ano passado aconteceu devido à manipulação por parte de traders do Bitfinex, que teriam usado uma outra moeda (chamada Tether) para impulsionar os preços do Bitcoin.

O artigo é assinado por John Griffin, professor de finanças da instituição, junto com o pós-graduando Amin Shams. A dupla examinou negociações que aconteceram entre março de 2017 e março de 2018, em períodos em que o Tether foi exclusivamente emitido pela Bitfinex, enquanto o preço do Bitcoin estava instável. "Esses eventos estão associados a 50% do retorno combinado do Bitcoin e 64% dos retornos das outras grandes criptomoedas [Dash, Ethereum, Litecoin, Monero e Zcash]", relataram os pesquisadores.

Eles, então, rodaram 10 mil simulações de negociação, concluindo que tal comportamento do Bitcoin nunca ocorria aleatoriamente. Griffin concluiu que "houve obviamente enormes aumentos de preço no ano passado, e meu artigo indica que a manipulação teve papel importante nesses aumentos".

Mas o CEO da Bitfinex nega o esquema. Segundo JL van der Velde, "nem a Bitfinex nem a Tether estão envolvidos ou já se envolveram em qualquer tipo de manipulação de preço ou de mercado, e as emissões não podem ser usadas para sustentar o preço do Bitcoin ou de qualquer outra moeda".

Só que os pesquisadores notaram que as moedas digitais têm uma semelhança com bolhas de investimento que existem desde o século XVIII. "Criptomoedas, que cresceram de quase nada para mais de US$ 300 bilhões em capitalização de mercado em poucos anos, se encaixam muito bem na narrativa histórica das bolhas anteriores — há uma tecnologia inovadora com extrema especulação em torno dela", acreditam.

A dupla segue dizendo que "períodos de excessiva especulação de preços muitas vezes compartilham os temas de otimismo em torno de uma nova tecnologia, concentrando-se em vender para os outros". Eles citam a Bolha do Mar do Sul, que aconteceu entre 1719 e 1720, além da Bolha da Ferrovia, nos anos 1840, como os primeiros exemplos de investidores comprando ações em um investimento não regulamentado, com base em falsas alegações e especulações do mercado, somente.

Os autores do estudo entendem que somente uma regulamentação possa estabilizar os mercados das criptomoedas. "Nossas descobertas sugerem que a vigilância do mercado dentro de uma estrutura regulatória pode ser necessária para que os mercados de moedas digitais sejam reservas legítimas de valor, e um meio confiável para transações financeiras justas", encerra a dupla.

Fonte: Entrepeneur

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