O que é ETF de criptomoedas?

O que é ETF de criptomoedas?

Por Roseli Andrion | Editado por Claudio Yuge | 20 de Outubro de 2021 às 22h10
Art Rachen/Unsplash

Uma das formas de investir em criptomoedas é por meio dos fundos de índices (Exchage-Traded Funds – ETFs). Essa opção é, basicamente, um fundo de investimento que pode ser negociado na bolsa de valores, como uma ação. Os ETFs reúnem recursos de diversos investidores e replicam um índice de referência.

No caso das criptomoedas, o ETF acompanha indicadores desse tipo de ativo, como o Bitcoin ou as altcoins (outras moedas digitais). No Brasil, cinco ETFs de criptomoedas já estão disponíveis na B3: Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice, QR CME CF Bitcoin Reference Rate, CME CF Ether Reference Rate, Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Rate e Hashdex Nasdaq Ethereum Reference Price Fundo de Índice.

Imagem: Reprodução/Pixabay

O primeiro deles apareceu na bolsa de valores em abril de 2021: o Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice. Ele replica o Nasdaq Crypto Index (NCI), que é composto por oito criptomoedas, com percentuais diferentes. A cada três meses, ativos são inseridos ou eliminados do NCI com base em critérios como desempenho e aceitação do mercado.

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A alteração mais recente na composição do indicador ocorreu em setembro. Em outubro de 2021, os ativos que formam o índice e seus percentuais são:

  • Bitcoin: 66,61%
  • Ethereum: 29,78%
  • Litecoin: 0,90%
  • Chainlink: 0,68%
  • Uniswap: 0,57%
  • Bitcoin Cash: 0,56%
  • Filecoin: 0,49%
  • Stellar: 0,40%

Em junho de 2021, foi a vez de o QR CME CF Bitcoin Reference Rate estrear na B3. Essa opção é 100% vinculada ao Bitcoin — foi o primeiro ETF do país com essa característica. Ele acompanha o índice CME CF Bitcoin Reference Rate, da bolsa de derivativos de Chicago (Chicago Mercantile Exchange Group – CME).

Já em agosto, os outros três ETFs de criptomoedas foram lançados. A QR Capital apresentou o CME CF Ether Reference Rate, o primeiro fundo de índices nacional com 100% de exposição ao Ethereum. Ele segue o índice usado pela CME, que acompanha o preço do criptoativo em dólares.

A Hashdex, por sua vez, passou a oferecer o Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Rate, que replica o índice Nasdaq Bitcoin Reference Price e tem 100% de exposição ao Bitcoin, e o Hashdex Nasdaq Ethereum Reference Price Fundo de Índice, com 100% de exposição ao Ethereum ao seguir o Hashdex Nasdaq Ethereum ETF.

Diferenças entre ETFs

Imagem: Reprodução/Pixabay/Sergei Tokmakov

A principal diferença entre os ETFs disponíveis no Brasil é o indicador utilizado. Enquanto o Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice acompanha o NCI, que é composto por oito criptomoedas, os demais seguem índices ligados apenas ao Bitcoin ou ao Ethereum.

No primeiro caso, então, o investidor adquire um ativo e tem exposição a diversas moedas. Nos demais, ele fica sujeito às flutuações de apenas uma moeda digital. Outro aspecto diferenciador são as taxas anuais de administração, que vão de 0,7% a 1,3% a depender o fundo escolhido.

Já quando se comparam os ETFs de criptomoedas com os de outros segmentos, a diferença é, basicamente, o tipo de índice utilizado. Assim como os ETFs cripto acompanham os indicadores do setor, outros ETFs podem replicar ações, commodities, renda fixa e assim por diante.

No Brasil, os mais comuns são os de renda variável, como os ETFS do Ibovespa, de Governança Corporativa, de Sustentabilidade Empresarial e o S&P 500. Até o início de outubro, a B3 já tinha quase 50 ETFs disponíveis. Ainda não é possível saber qual a rentabilidade desses fundos em longo prazo, já que são produtos ainda iniciantes.

O primeiro passo para investir em um ETF de criptomoeda é abrir uma conta em uma corretora. Depois, basta transferir dinheiro para a plataforma, encontrar o fundo e comprá-lo. Vale lembrar que é preciso pagar taxas de corretagem e de custódia para as corretoras e encargos de negociações na B3. Além disso, os ETFs de criptomoedas estão sujeitos a imposto de renda de 15% sobre o ganho de capital.

Vantagens e desvantagens

Como funcionam como híbrido de fundo de investimento tradicional e ação, os ETFs de criptomoedas têm algumas vantagens. Começa com a facilidade: após o cadastro em uma corretora, já é possível negociá-los. Além disso, o investimento é baixo: no início de outubro, as cotas iniciais por aqui variavam entre R$ 14 e R$ 72.

Imagem: Reprodução/Envato/Rawpixel

Os custos relacionados a taxas de administração e despesas operacionais são baixos quando comparados aos fundos de investimentos de criptomoedas. Isso ocorre porque eles têm gestão passiva e não necessitam de um especialista para analisar o mercado e maximizar o desempenho do título.

Outro aspecto interessante é a segurança, já que os ETFs de criptomoedas são autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — diferentemente dos ativos em si, que ainda não são regulamentados como investimentos por aqui. Isso garante mais segurança jurídica para quem não se sente confortável com as moedas digitais.

Mesmo assim, os ETFs de criptomoedas têm riscos e desvantagens. O principal deles é a volatilidade relacionada às oscilações de preço dos ativos. Outro aspecto é o risco de o ETF não conseguir replicar exatamente o índice de referência, em razão de taxas operacionais e despesas.

Como têm gestão passiva, os ETFs de criptomoedas buscam acompanhar um determinado indicador. Então, se um dos ativos que o compõe apresentar sinais de queda por instabilidades previsíveis de curto prazo, ele não será retirado do mix e os investidores terão perdas.

E tudo isso se soma ao horário de negociação, que se limita ao da bolsa de valores: das 10h às 17h de segunda a sexta-feira. Como o mercado de criptomoedas funciona todos os dias, 24 horas por dia, quem investe em ETFs não consegue aproveitar as variações em horários alternativos nem nos finais de semana.

Fonte: InfoMoney

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