Kodak cancela seu bizarro projeto de minerador de bitcoins

Por Felipe Demartini | 18 de Julho de 2018 às 12h47
photo_camera ZDNet

A Kodak cancelou oficialmente seus planos de lançar o KashMiner, aparelho que permitiria a mineração de bitcoins. O anúncio, na verdade, foi feito pela Spotlite, uma empresa americana que trabalhava no licenciamento do produto junto à companhia fotográfica, que citou problemas contratuais como motivo para o fim dos planos de trabalho conjunto.

Anunciado durante a CES 2018, que aconteceu no início deste ano em Las Vegas, o KashMiner era um projeto um bocado bizarro, parte da reinvenção da antiga companhia de filmes e máquinas fotográficas. O aparelho não seria adquirido pelos clientes, mas sim alugado por um valor de US$ 3.400. Em troca, seu financiamento garantiria um rendimento mensal de US$ 375 durante dois anos.

Os dispositivos ficariam funcionando na sede da Kodak na cidade de Rochester, nos Estados Unidos, devido ao fornecimento barato de energia pela presença de uma unidade de geração da própria companhia. A revelação, feita durante o pico de valor das bitcoins, levava em conta a empolgação da época com as moedas virtuais. Poderia parecer um bom investimento, afinal de contas o valor do aluguel “se pagava” entre o nono e o décimo mês, com o restante ficando como lucro para o locatário, após a cobrança de uma pequena parcela que iria para a própria companhia.

Participe do nosso GRUPO CANALTECH DE DESCONTOS do Whatsapp e do Facebook e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

De acordo com a Spotlite, 80 KashMiners já estariam em operação na sede da companhia fotográfica, mas o acordo entre as duas foi por água abaixo não pela complexidade e volatilidade das moedas virtuais, mas por problemas de licenciamento. Além disso, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) também teria emitido parecer contrário ao esquema, o que dificultou ainda mais sua transformação em realidade.

Tanto que, em comunicado oficial, a Kodak negou qualquer envolvimento no negócio. A empresa afirmou que não possuía máquinas funcionando em sua sede e que a presença do KashMiner em seu estande na CES constituía uma parceria com a Spotlite, não o licenciamento de um produto para a empresa.

Na ocasião do anúncio, especialistas já apontavam para o aumento na complexidade da mineração das bitcoins, além da expectativa por uma queda brusca que, mais tarde, se tornou real. Na imprensa internacional, a oferta da Kodak chegou a ser citada como um “possível golpe”, uma vez que a companhia não teria como garantir os lucros fixos prometidos após o polpudo pagamento inicial.

A locação dos aparelhos era parte de um esforço da empresa no mundo das criptomoedas que envolve, também, o lançamento da KODAKCoin. Essa iniciativa serviria como uma espécie de economia interna para seu sistema de gerenciamento de direitos autorais, permitindo que artistas e fotógrafos registrassem e vendessem seus trabalhos ao público para uso pessoal ou profissional. As transações seriam validadas por blockchain, que também garantiria o licenciamento das imagens.

A iniciativa, entretanto, não estaria relacionada ao KashMiner. A Kodak, no comunicado, não falou sobre sua moeda virtual própria nem sobre o andamento do projeto.

Fonte: BBC

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.