A febre do Bitcoin passou – mas levou consigo fortunas e “pés de meia”

Por Carlos Dias Ferreira | 12 de Setembro de 2018 às 16h10

No momento em que este texto é escrito, o Bitcoin (BTC) é cotado em US$ 6.271,98, ou R$ 25.908,29. Embora ainda seja um valor relativamente alto para um ativo que pouca gente entende como funciona, trata-se de algo bastante distante dos US$ 20 mil alcançados pela criptomoeda ao final do ano passado – após uma sucessão de altas quase miraculosas que levaram todo tipo de gente a quebrar o cofrinho para investir em algo novo e incrivelmente ilusivo.

Como resultado, estima-se que aproximadamente US$ 400 bilhões tenham sido varridos de contas pessoais, de fundos de investimentos e dos colchões de todo tipo de investidor desde janeiro deste ano. E nisso se inclui mesmo todo tipo de gente: dos investidores profissionais afeitos a análises e orgulhosos de suas predições sobre as flutuações do mercado mobiliário até o amador que simplesmente vislumbrou uma forma rápida de multiplicar suas posses.

“Investidores de mercado, estudantes, donas de casa e até a vovó – todos foram tomados pelo hype”, conforme disse o pesquisador de criptomoedas da Cambridge Centre for Alternative Finance Michel Rauchs, em entrevista à CNN. “A mídia disse a eles que essa era a oportunidade de uma vida; então eles compraram [criptomoedas] em alta e tiveram perdas pesadas.”

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Como resultado, profissionais e entusiastas ainda tentam compreender o que se passou com uma das bolhas mais sui generis do mercado de capitais. “Claramente, o frenesi que nós vimos e a volatilidade dos preços do Bitcoin lembram o cenário de outras bolhas financeiras que se formaram várias e várias vezes ao longo da história”, disse o economista comportamental da University College London Benedetto De Martino à CNN.

Frenesi e volatilidade dos preços do Bitcoin descortinaram um novo tipo de bolha financeira aos investidores de Wall Street - um que arrebanhou todo tipo de gente atrás de riqueza milagrosa.

Milhares de dólares perdidos...

A própria CNN contou a história do empreiteiro Sean Russel, um dos diversos investidores conjunturais que acabaram picados pela mosca virtual da Bitcoin. Mas o entusiasmo é fácil de compreender: em apenas um mês, Russel viu suas reservas de US$ 120 mil se converterem em meio milhão de dólares.

“Eu pensei, nossa! Isso é a hipoteca que vai poder ser paga e são as férias com as quais eu sempre sonhei!”, disse ele ao site, acrescentando ainda que tentou se salvar com outras criptomoedas quanto o buraco da Bitcoin começou a se tornar mais profundo – alternativas como a Ripple ou a Ethereum. Nesse ponto, entretanto, o estrago já estava feito.

...e milhões de dólares perdidos

Embora o peso de uma perda financeira seja absolutamente relativo, ao menos em termos monetários houve quedas maiores. Em entrevista ao site Stuff, o especulador de Bitcoins Derek Rose contou como a euforia em torno da criptomoeda o fez queimar US$ 10 milhões:

“Eu fiquei um pouco nervoso quando um colega me perguntou se eu queria contar a história de como perdi US$ 10 milhões em criptomoedas. Pareceu-me que as pessoas poderiam ouvir o ocorrido e dizer, ‘Nossa, mas que idiota’ – e, honestamente, eu não as culparia por pensar assim.”

Rose contou ao Stuff que recebeu diversos avisos de amigos e de pessoas aleatórias pela internet, que tentavam dissuadi-lo de fazer investimentos grandes em Bitcoin ou em ativos similares. “Essas coisas pagaram bem... Até o momento em que não pagaram mais, e eu perdi uma pequena fortuna.”

Ganso dos ovos de ouro virtuais: queda do Bitcoin iniciada em meados de dezembro do ano passado varreu aproximadamente US$ 400 bilhões em investimentos - tnato de traders profissionais quanto de amadores entusiasmados.

Warren Buffett bem que avisou

Embora o deslumbramento em torno das criptomoedas e da tecnologia block chain ainda deva durar algum tempo, é de se imaginar que o investidor acabe por se tornar menos ingênuo em relação à volatilidade típica desses ativos. De fato, investidores de nome como Warren Buffett ou o CEO do JPMorgan Jamie Dimon já haviam alertado o mercado sobre a febre do Bitcoin; particularmente, sobre a forma errática como a “moeda” se comporta – mesmo para os padrões de Wall Street. Paralelamente, os órgãos reguladores do mercado imobiliário já começaram a prestar mais atenção no festim de fortunas virtuais protagonizado por um sem número de novos ativos e fundos de investimento.

De fato, apenas na semana passada a criptomoeda caiu 20% unicamente porque se aventou a possibilidade de o banco de investimentos Goldman Sachs desistir da ideia de formar um balcão para criptonegociações. O desafio, entretanto, parece ser o de manter a racionalidade diante dos milagres aparentes do capital especulativo. “Eu preciso manter a esperança em algo”, disse Russel à CNN, admitindo que se manteve investindo em criptomoedas após o tombo.

Fonte: CNN Money, Stuff

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