Sony diz que PlayStation 4 não terá retrocompatibilidade porque "ninguém usa"

Por Redação | 07.06.2017 às 09:42
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Desde que a Microsoft anunciou que o Xbox One permitiria que os jogadores utilizassem games de Xbox 360 em seu sistema de nova geração, muito se questionou sobre a resposta da Sony para isso. Dois anos se passaram e, até então, ainda não vimos a retrocompatibilidade chegar ao PlayStation 4. E, ao que tudo indica, isso não deve acontecer tão cedo já que a empresa simplesmente não vê razão para isso.

Em entrevista à revista Time, o chefe da divisão europeia da empresa, Jim Ryan, jogou um balde de água fria em quem esperava ver algum anúncio do tipo nesta E3. Para ele, a Sony simplesmente não está interessada em desenvolver um sistema de retrocompatibilidade porque sabe que as pessoas não estão realmente interessadas nisso. Segundo ele, embora haja um pedido constante para que esse recurso seja adicionado, na prática o acesso a jogos antigos é algo que o usuário não utiliza com tanta frequência como quer dar a entender.

O executivo cita o exemplo de Gran Turismo. Ele conta ter ido a um evento em que todas as edições do game de corrida estavam disponíveis, do PlayStation original ao PS4, e ele não conseguiu entender como as pessoas conseguem jogar títulos do PS1 ou mesmo do PS2 de tão datados que eles se tornaram.

E é aqui que a coisa fica realmente delicada. De um lado, a afirmação de Ryan caiu como uma bomba entre os fãs da Sony e deixou muita gente enfurecida. E com razão. Não apenas por esnobar os pedidos dos usuários e dizer que ninguém vai usar aquilo que eles tanto pedem, mas por contradizer uma política da própria empresa. Ao mesmo tempo em que ele diz que as pessoas não querem games antigos e que é inconcebível imaginar gente jogando títulos de PS1 e PS2, a própria Sony segue relançando títulos dessas gerações e fazendo seu pé de meia com isso. Neste mês, inclusive, um de seus destaques é a remasterização de Crash Bandicoot que, veja você, foi lançado no PS1.

Tudo bem que o gráfico foi retrabalhado, mas ainda é o mesmo jogo. Isso sem falar de tantos outros que chegaram à PSN sem qualquer tipo de melhoria. Então, sim, é um tanto quanto contraditório dizer que ninguém se importa quando a sua própria empresa segue vendendo esses jogos como se fossem novidades — o que reforça a teoria de que a Sony não quer liberar o acesso a jogos antigos exatamente para poder ganhar uns dólares a mais os revendendo.

Por outro lado, uma pesquisa recente mostra que essa visão não está completamente errada. Um levantamento feito pelo site Ars Technica com base em dados da própria Xbox Live mostra que apenas 1,5% do 1,65 bilhão de minutos de uso do Xbox One analisados foram gastos com jogos de Xbox 360. Os dados levam em conta 930 mil usuários que tiveram suas atividades computadas ao longo de um período de cinco meses, o que mostra que, embora a Microsoft goste de encher o peito para falar de sua retrocompatibilidade, a Sony está certa em dizer que esse recurso não é tão utilizado assim.

Apenas para ter uma ideia comparativa, 54,7% desse tempo total foram gastos com jogos do Xbox One e 16,5% com a Netflix. Isso mostra como o interesse pelos jogos antigos é realmente baixo, ainda mais se levando em conta que o sistema oferece suporte a mais de 350 títulos do Xbox 360 — o que mostra que, de fato, são pouquíssimas as pessoas que estão usando a função. De novo: de 1,65 bilhão de minutos analisados, apenas 4,6 mil foram usados com Call of Duty: Black Ops. Isso corresponde a 0,307% — e estamos falando do game da geração passada mais jogado no One. Agora pense no resto.

Diante desses números, a declaração do executivo da Sony realmente faz sentido. Afinal, por mais que as pessoas peçam insistentemente, as estatísticas mostram que esse é um esforço que não vale a pena ser feito.

Por outro lado, a questão que realmente incomoda os jogadores não está em quem está certo ou errado nessa história. De fato, não há como negar que a retrocompatibilidade é pouco utilizada pelas pessoas, mas a verdade é que elas querem ter a opção. Trata-se da liberdade de jogar ou não um jogo antigo em seu console novo — e não ter de comprá-lo novamente. E é isso que a Sony ainda não entendeu (ou finge que não).

Via: Time, Ars Technica