Dados do iCloud na China são transferidos para servidores de empresa estatal

Por Wagner Wakka | 18 de Julho de 2018 às 19h20
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Uma empresa estatal na China é quem vai passar a guardar todos os dados de usuários de contas Apple no país. A empresa já havia anunciado em fevereiro deste ano que moveria todos os dados do iCloud na China para servidores da Guizhou-Cloud Big Data, uma empresa estatal, sobre controle do governo local.

A decisão é controversa, uma vez que oferece ferramentas de acesso a contas e dados dos usuários no país, o que pode ser um grande problema para a Apple e seus clientes locais. Em resposta, a Apple informou que a decisão não é o ideal, mas que não teve escolha a não ser concordar com a decisão para continuar provendo o serviço na China.

Atualmente, a Guizhou-Cloud Big Data é controlada pela China Telecom, uma empresa estatal de telecomunicações. Isso dá ao governo chinês, conhecido pela reprimenda nada democrática contra seus dissidentes, acesso ao iCloud do usuário, dentre as informações de fotos, notas, e-mails e mensagens de texto.

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Mesmo pelas redes sociais locais, como o Weibo, usuários se mostram preocupados sobre a possibilidade de censura e o cerceamento à liberdade na internet.

Entenda o caso

No início do ano, a China exigiu da Apple que cumprisse uma lei nacional que obriga que dados de usuários do país não sejam guardados em servidores estrangeiros. Em nota de fevereiro deste ano, a Apple destacou que tentou “advogar contra o iCloud ser objeto destas leis”, mas foram “extremamente mal sucedidos”.

“Nossa escolha era oferecer o iCloud sob as novas leis ou descontinuar a oferta do serviço”, aponta a nota. Com isso, a Apple fechou em fevereiro a parceria com a  Guizhou-Cloud Big Data para transferência dos dados para os servidores chineses.

A fabricante norte-americana, contudo, ressaltou que, apesar da mudança de local, a chave de encriptação das informações ainda ficariam com ela, sendo que não há acordo com o governo chinês que os obrigue a liberar tal segurança.

A decisão chamou atenção de órgãos pelo mundo, sendo que a Anistia Internacional publicou nota de repúdio contra a decisão chinesa. “As mudanças exigidas ao iCloud são o último indício de que o ambiente repreensivo legal chinês está tornando mais difícil para a Apple garantir seus compromissos com a privacidade e segurança dos usuários”, critica o órgão.

Mesmo que não tenha as chaves de encriptação, a Anistia Internacional acredita que este é um “acesso virtualmente restrito” aos dados do usuário, uma vez que, se o governo quiser fazer uma investigação usando estes dados, a Apple tem poucos recursos para impedir este avanço.

Fonte: Mashable

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