"Vício em videogames" agora é uma doença, classifica OMS

Por Wagner Wakka | 19 de Junho de 2018 às 09h09

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou nesta segunda-feira (18) a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, conhecida como CID. Entre as mudanças está a inclusão do vício em jogos como doença oficialmente reconhecida. Chamada de “gaming disorder” (ou desordem de games, em tradução literal), a classificação se encaixa em um padrão de comportamento.

A OMS classifica desordem com “padrão de comportamento persistente ou recorrente”, sendo que isso pode “resultar em comprometimento significativo nas áreas de funcionamento pessoal, familiar, social, educacional, ocupacional ou outras”. Com isso, a proposta da OMS é levantar a atenção para um possível problema relacionado ao uso excessivo de jogos.

A Entertainment Software Association (ESA) reforçou nesta segunda-feira (18) sua posição contrária à proposta da OMS. Em publicação na sua página oficial no Twitter, a associação disse que “o projeto proposto não é final e que ainda está sob discussão e revisão”.

De fato, o documento apresentado nesta segunda-feira é uma prévia para que países possam começar a se organizar quanto às novas diretrizes. O próprio site da OMS aponta que o CID-11 será apresentado oficialmente em maio de 2019 durante a Assembleia Mundial da Saúde. Se aprovada, a proposta entra em vigor em 1º de janeiro de 2022.

O argumento da OMS é que o uso exagerado de videogames e outras plataformas de jogos poderia levar a uma série de sintomas de vício com a tecnologia. Tal conjunto é o que a Organização quer classificar como “gaming disorder”.

Os padrões são falta de controle sobre o jogo (por exemplo, início, frequência, intensidade, duração, término, contexto), aumento da prioridade dada ao jogo na medida em que este tem precedência sobre outros interesses da vida e atividades diárias, aumento ou continuidade alta da frequência de jogar apesar da ocorrência de consequências negativas.

A OMS, contudo, não detalha quantitativamente isso.

Em março deste ano, a ESA, em conjunto com a União Brasileira dos Video Games, a Interactive Entertainment South Africa e a Korea Association of Game Industry (K-GAMES), publicou uma carta aberta contra a decisão.

Um dos principais pesquisadores contrários ao assunto é o professor de psicologia da Universidade da Stetson da Flórida, Christopher J. Ferguson. Ele argumenta que há estudos que mostram que esse tipo de doença está mais associada à consequência de sintomas de outros problemas, tais quais a depressão. A divisão de tecnologia e psicologia em mídias da American Psychological Association divulgou uma nota em que se mostra crítica ao termo “gaming disorder”. Ainda, a própria UNICEF é reticente em usar o termo "vício" para descrever o excesso de uso de tecnologia por crianças.

A ESA defende a mesma ideia. “Especialistas em todo o mundo mostram preocupação sobre a proposta da Organização Mundial da Saúde de um vício que pode levar a um diagnóstico equivocado sobre condições de saúde mental”, levanta a nota do Twitter.

Além disso, a ESA reforça que "a OMS deveria considerar a quantidade de evidências anteriores antes de incluir no próximo ano a ‘gaming disorder’ na versão final do CID-11".

Fonte: OMS

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