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Starlink na Amazônia leva internet aos indígenas

Por| Editado por Luciana Zaramela | 07 de Junho de 2024 às 11h32

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Deb Dowd/Unsplash
Deb Dowd/Unsplash

Desde a chegada da Starlink à Amazônia, os indígenas que agora possuem acesso à internet se deparam com os principais dilemas da vida conectada. Uma reportagem do The New York Times no dia 2 de junho levantou todo um questionamento sobre os impactos positivos e negativos.

O grupo indígena Marubo, que vive em cabanas ao longo do rio Ituí nas profundezas da floresta amazônica, passou a receber o serviço de internet via satélite da Space X há nove meses. 

Em entrevista ao jornal, os moradores locais relataram que os jovens estão "aprendendo os costumes dos brancos". Isso inclui falta de interesse em atividades manuais, além de comportamentos mais preguiçosos. Dentre as queixas da população local, destacam-se bate-papos em grupo cheios de fofocas, redes sociais viciantes, estranhos online, desinformação e até mesmo fraudes e golpes.

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Na entrevista ao jornal norte-americano, Kâipa Marubo relatou que a internet está ajudando a educar seus filhos. Mesmo assim, mostrou preocupação com os videogames de tiro em primeira pessoa que seus dois filhos jogam.

O jornal norte-americano também apresentou um depoimento de Alfredo Marubo, revelando que "todos estão tão conectados que às vezes nem falam com a própria família" e que alguns jovens agora tinham acesso à pornografia, um comportamento que vai contra a cultura em questão, que desaprova até mesmo o beijo em público.

No entanto, nem tudo é problema: os indígenas também aproveitaram as facilidades promovidas pelo acesso à internet, como a comunicação com amigos e parentes a longa distância e pedidos de ajuda em casos de emergências.

Repercussão do acesso de indígenas à pornografia

Essa reportagem do jornal The New York Times repercutiu mundo afora por causa do recorte específico sobre a questão da pornografia. Tanto que o presidente da Associação Kapyvanaway da etnia Marubo, Enoque Marubo, chegou a fazer um pronunciamento nas redes sociais:

“Estou aqui para repudiar as fake news que circularam pelo mundo na última semana, alegando que a entrada da internet em nossas comunidades resultou em vício em pornografia. Essas afirmações são infundadas, mentirosas e apenas refletem uma corrente ideológica invejada que desrespeita a nossa autonomia e a nossa identidade”, afirma. Ele ainda critica o posicionamento do jornal em enfatizar mais o lado negativo desse acesso à internet que o positivo. "Infelizmente a reportagem destacou mais os pontos negativos, o que resultou na disseminação de uma visão distorcida que nos prejudicou", diz Enoque.

"A internet em nossas comunidades é uma ferramenta muito importante. Ela salva vidas. Facilita a comunicação com os parentes que vivem distantes, auxilia professores na sala de aula, poderia listar aqui vários outros [pontos]”. Diante da repercussão, o jornal fez um esclarecimento na última terça-feira (11): “O povo Marubo não é viciado em pornografia. Não havia nenhum indício disso na floresta”.

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O caso também foi comentado por SE Robinson, Jr., que integra as empresas de Elon Musk — como é o caso da Starlink: “O artigo não apenas sugere que as crianças são viciadas em pornografia, mas também viciadas em mídias sociais, estranhos online e violência. Tudo por causa do Starlink”.

E mesmo em meio ao esclarecimento, Robinson pontua em sua rede social: “Eles se desculparam e corrigiram a história, destacando os benefícios do Starlink em saúde, educação, negócios e comunicação. Minha opinião, o assunto e as acusações do artigo original por si só exigem 100% de precisão antes de serem publicados. Foi feito de propósito. Desculpas não aceitas”.

Chegada da Starlink na Amazônia

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A Starlink, de Elon Musk, fornece internet banda larga por meio de constelações de satélites, e contempla áreas remotas que antes estavam fora do alcance da Internet. Existem hoje 66 mil contratos ativos na Amazônia brasileira, abrangendo 93% dos municípios legais da região. 

A chegada da Starlink a essas regiões abriu novas oportunidades de emprego e educação para aqueles que vivem na floresta. No entanto, ainda existem muitos desafios e caminhos a serem percorridos para que os grupos indígenas extraiam o melhor proveito de uma vida conectada.

Fonte: The New York Times (1, 2)