Por que nos perdemos nos lugares? Nossa memória espacial piora com o tempo?

Por Nathan Vieira | 07 de Julho de 2020 às 14h38
Robina Weermeijer /Unsplash

Pesquisadores do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas (DZNE) e especialistas do Instituto de Tecnologia em Massachusetts e da Universidade do Texas em Austin, nos EUA, descobriram que a principal fonte de erros no senso de direção é a percepção de ruídos. Os resultados deste estudo podem contribuir para o desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico para detecção precoce de demência.

De estímulos visuais a feedback muscular e sinais transmitidos pelo sistema vestibular, o cérebro humano usa uma ampla gama de informações sensoriais para determinar a posição e nos guiar. Uma parte essencial do processamento de informações necessário acontece no córtex entorrinal, área presente nos dois hemisférios cerebrais. Nela existem neurônios especiais que geram um mapa mental do ambiente físico. Assim, as informações no espaço real são traduzidas para um formato de dados que o cérebro pode processar.

"O senso de direção do ser humano funciona muito bem, mas não é isento de falhas", explicou o professor Thomas Wolbers, pesquisador do DZNE. "Sabemos que existem pessoas com boas habilidades de orientação e pessoas que acham mais difícil encontrar o caminho de volta. Essa habilidade geralmente diminui com a idade, portanto, as chances de se perder aumentam com o passar dos anos", acrescentou.

Cientistas fazem experimento para entender o porquê as pessoas se perdem, e de que maneira isso está relacionado com a idade

Para entender as causas desse declínio, os cientistas fizeram um experimento específico com cerca de 60 jovens e idosos cognitivamente saudáveis, equipados com óculos de realidade virtual. Eles tiveram que se mover e se orientar individualmente dentro de um ambiente gerado digitalmente. Durante o experimento, os participantes foram solicitados várias vezes a estimar a distância e a direção do ponto de partida do caminho. Como o ambiente virtual ofereceu apenas algumas dicas visuais para orientação, os integrantes do experimento tiveram que confiar principalmente em outros estímulos.

"O corpo humano e seus órgãos sensoriais estão longe de ser perfeitos. O processamento de informações no cérebro é, portanto, afetado por falhas, que podem ser interpretadas como ruído. É semelhante a uma transmissão de rádio, na qual o ruído pode sobrepor o sinal", disse Wolbers. "Conseguimos desvendar as contribuições de várias fontes de erro e identificar o que distorce mais o rastreamento de posição e o que tem pouco efeito".

A equipe concluiu que erros no senso de direção são causados ​​principalmente pelo "acúmulo de ruído interno" no processamento de informações — e esse fenômeno é provavelmente uma consequência de imprecisões na percepção da velocidade do movimento. Essa fonte de erro foi dominante tanto nos jovens (idade média de 22 anos) quanto nos idosos (idade média de 69 anos). "Os indivíduos jovens eram geralmente melhores na orientação do que os participantes mais velhos do estudo. Criticamente, o ruído interno acumulado aumentou com a idade. No entanto, ainda não sabemos a origem exata desse ruído, nem por que ele aumenta com a idade", concluiu Wolbers.

Fonte: Science Daily

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