Mulheres que falam de ciência no YouTube são mais atacadas pelos haters

Por Patrícia Gnipper | 18 de Julho de 2018 às 08h28
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A pesquisadora australiana de comunicação científica, Inoaka Amarasekara, decidiu fazer sua tese de mestrado analisando como é o impacto dos comentários negativos que mulheres recebem ao abordar ciência por aí. Ela analisou mais de 23 mil mensagens recebidas por youtubers e concluiu que os homens que abordam os mesmos temas recebem menos mensagens hostis do que as mulheres.

De acordo com o estudo, mulheres que possuem canais na plataforma de vídeo abordando temas que fazem parte do STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) recebem uma quantidade maior de comentários, curtidas e seguidores; contudo, 14% dessas mensagens são maldosas, contra cerca de 6% para os homens.

Entre os comentários de ódio recebidos por elas, 4,5% dizem respeito à sua aparência física, enquanto os homens que mantêm canais científicos no YouTube recebem apenas 1,4% desse tipo de comentário infeliz. Comentários como "volte para a cozinha e me faça um sanduíche", ou sobre os seios das apresentadoras são comuns, por sinal.

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Amarasekara, quando listou 370 dos canais mais populares de ciência no YouTube, descobriu que apenas 32 deles eram apresentados por mulheres — número este que não é suficiente para uma amostra significativa a fim de um estudo embasado. Então, ela decidiu acrescentar mais 21 canais para chegar a um número suficiente e, em suas conclusões, imagina que um dos motivos pelos quais há um número muito maior de youtubers homens falando de ciência é justamente o excesso de ofensas gratuitas que as mulheres recebem ao "dar a cara para bater".

Agora, a pesquisadora espera que seu estudo abra portas para outras pesquisas ainda mais aprofundadas, considerando outros fatores que podem impactar na quantidade de mensagens de ódio recebidas, como, por exemplo, etnia e orientação sexual.

Fonte: The New York Times

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