eSports: a rotina de um gamer e sua saúde mental

eSports: a rotina de um gamer e sua saúde mental

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 05 de Julho de 2021 às 08h30
Sean Do/Unsplash

Já ressaltamos aqui no Canaltech, inúmeras vezes, a importância de cuidarmos da nossa saúde mental. Mas você já parou para pensar em como isso se aplica no âmbito dos eSports? E mais: em plena pandemia?

Segundo Dustin Illingworth, gerente de marketing de influenciadores e diretor de saúde e bem-estar da HyperX, existem algumas particularidades no caso dos gamers, especialmente os jogadores profissionais de esportes eletrônicos, que precisam estar com a saúde em dia para entregarem máxima performance nos treinamentos e nas partidas.

"A importância de trabalhar a saúde mental dos atletas é tão grande que as organizações de eSports costumam investir bastante e até priorizar o acompanhamento psicológico, para que assim os jogadores deixem os problemas pessoais de lado e se concentrem totalmente nas competições", aponta.

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Já em relação aos gamers casuais, Illingworth aponta que os jogos são uma excelente maneira de estar em contato com os amigos, virtualmente, para relaxar nas horas vagas ou mesmo se distrair em partidas single player.

Questionado sobre as iniciativas da HyperX para manter a saúde mental e o bem-estar dos gamers, o gerente de marketing menciona que cada produto passa por rigorosos testes de desempenho antes de ser lançado, com foco na ergonomia e no conforto.

Ansiedade e cobranças vs. tranquilidade e cabeça fria

(Imagem: Florian Olivo/Unsplash)

Matheus "Drop" Herdy, jogador de League of Legends da Netshoes Miners, conta que trabalhar com eSports é extremamente cansativo, principalmente em época de campeonato. "A pressão envolvida em representar um time grande, com centenas de milhares de pessoas assistindo e esperando que você performe bem, é enorme. Além do mais, a maior pressão geralmente vem do próprio jogador, o que pode fazer com que ele, se não tiver um psicológico preparado, acabe tendo crises de ansiedade", afirma.

Herdy ressalta que é comum ter ansiedade até um determinado ponto: "[A ansiedade] geralmente vem, pois talvez o jogador se sinta insuficiente ou talvez por não estar conseguindo performar tão bem. Em relação ao estresse, picos são também bem comuns nesse meio, principalmente para quem trabalha ativamente dentro de uma equipe. Isso se dá devido aos mesmos fatores que [desencadeiam] as crises de ansiedade, como pressão, não conseguir bater uma meta estipulada, e assim por diante".

Segundo o pro player, é bem raro que empresas tenham alguma iniciativa em relação a saúde mental no geral, principalmente aquelas que não participam ativamente do ambiente competitivo que é um time. Questionado se já viu casos de jogadores que precisaram de ajuda, Herdy diz que é algo bem recorrente quando se trata de times profissionais. "Geralmente, quando um time não está indo muito bem, alguns jogadores ou até mesmo pessoas da comissão técnica acabam ficando com o psicológico abalado, consequentemente precisando de ajuda profissional".

No entanto, ressalta que sua equipe conta com três psicólogos que participam ativamente do dia a dia, um em cada modalidade de jogo dentro da organização. "Quando veem que algo está fora do normal, sempre nos chamam para conversar, para saber se há um problema, e, se realmente existir, resolver. Também fazemos atividades em grupo duas vezes por semana com eles, e uma preparação para o jogo, em dia de campeonato", revela.

Games fazem bem?

(Imagem: Nassim All/Unsplash)

De acordo com Illingworth, o game, pode ser um grande aliado para manter a mente sã em tempos tão difíceis, seja para se reunir online com os amigos em um jogo multiplayer ou para imergir em uma campanha single player. "O design de um jogo, incluindo seus gráficos, animação, desenvolvimento de personagens, sons e paisagem, incorporam muitos dos elementos criativos de outras formas de arte e podem abrir outra porta para a expressão humana ou fuga da realidade, além de promover a regulação emocional, que é essencial nestes tempos desafiadores", afirma.

Mas para fugir dos excessos em relação aos games e não deixar que a hora de jogar atrapalhe a hora de realizar as tarefas cotidianas, Illingworth diz que se concontrar um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é fundamental. "Além de oferecer entretenimento, o game ajuda o jogador a fugir um pouco da realidade, a relaxar, se distrair e se divertir, mas, claro, é importante ter moderação e não deixar com que o momento da diversão interfira nas outras áreas da vida, como trabalho, estudos, relacionamentos e o tempo de sono".

A psicóloga esportiva Luciana Vainstoc orienta que é importante não se esquecer que jogar videogame é recreativo e divertido e que ter um tempo de diversão, de recreação, de lazer é saudável dentro de toda a situação que foi e está sendo vivida. Porém, alerta: "Uma coisa é uso, outra é abuso e outra é dependência. Quando a gente sente que depende de jogar e precisa daquela adrenalina do jogo, acho que pode ser um fator que não ajuda a ansiedade. Todos nós temos ansiedade na vida, todos nós temos estresse. O problema é quando você vai ao excesso. Nenhum excesso é bom. E quando há ansiedade, o que se deve buscar é acalmá-la, buscar espaços e situações que acalmem a ansiedade e que a abstraia".

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