Declínio cognitivo: por que o cérebro de algumas pessoas envelhece menos?

Declínio cognitivo: por que o cérebro de algumas pessoas envelhece menos?

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 07 de Novembro de 2021 às 15h00
Edu Carvalho/Pexels

Um estudo de Harvard comparou o cérebro de pessoas de diferentes faixas etárias para entender como acontece o declínio cognitivo no decorrer do envelhecimento. Além de jovens e adultos, os pesquisadores se concentraram em idosos que demonstram atividade cerebral semelhante à de indivíduos mais novos.

Os pesquisadores se concentraram em duas regiões do cérebro: o giro fusiforme (responsável pelo reconhecimento de rostos) e o giro para-hipocampal (relacionado com ao reconhecimento de cenários). O estudo investigou atividade cerebral funcional durante as fases de aprendizagem e recuperação de uma tarefa de memória de reconhecimento.

O trabalho contou com a participação de 41 adultos jovens, 23 adultos e 17 idosos que passaram por uma ressonância magnética funcional (fMRI) enquanto completavam uma tarefa de memória associativa. Durante a fase de aprendizagem da tarefa, os participantes viram uma série de 80 imagens (um rosto ou uma cena ao ar livre) e pares de palavras, e foram solicitados a julgar se a palavra e a imagem estavam semanticamente relacionadas.

(Imagem: Fakurian Design/Unsplash)

Após 10 minutos, os participantes viram novamente 80 pares de imagens e palavras, algumas repetidas e algumas reorganizadas em novos pares, e então tiveram que indicar se já tinham visto o par anteriormente.

Esses idosos "especiais" que participaram tiveram um desempenho melhor do que os adultos e foram tão bem quanto os adultos jovens no teste de memória de reconhecimento, além de mostrar maior diferenciação neural em comparação com idosos "normais". Os autores sugerem que esses resultados podem depender da neuroplasticidade individual (definida como a capacidade do sistema nervoso modificar sua estrutura e função em decorrência dos padrões de experiência).

O próximo passo do estudo é descobrir se esse público idoso tem um funcionamento cognitivo básico melhor do que a maioria das pessoas ou se há algum tipo de estilo de vida ou fator ambiental que lhes permita manter a saúde cerebral intacta.

Fonte: Massive Science

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