Morre Zé do Caixão, o maior cineasta brasileiro, aos 83 anos

Por Rafael Rodrigues da Silva | 19 de Fevereiro de 2020 às 18h40

Nesta quarta-feira (19) morreu o cineasta brasileiro José Mojica Marins, mais conhecido como o Zé do Caixão. Aos 83 anos de idade, o diretor morreu no hospital Sancta Maggiore, em São Paulo, vítima de uma broncopneumonia.

Atualmente reconhecido com um dos mestres mundiais do gênero de terror e um inovador no gênero de “filmes B” (filme gravados com baixíssimo orçamento), ele é considerado pela crítica como o maior cineasta brasileiro de todos os tempos. Apesar disso, todo esse reconhecimento foi algo tardio na carreira do diretor, que durante anos foi ridicularizado pela crítica brasileira, que só começou a levá-lo a sério quando a crítica internacional teve contato com os filmes de Mojica e começou a chamá-lo de gênio.

Apesar de já ter produzido filmes de diversos gêneros (como dramas, faroestes e até mesmo pornochanchadas), foram os filmes de terror os principais responsáveis pela fama do cineasta. Aqui no Brasil, ele ficou conhecido menos pelos filmes em si e mais pelo personagem Zé do Caixão, que criou para o filme À Meia Noite Levarei Sua Alma e que acabou se tornando um marco de sua carreira, reaparecendo em praticamente todos os filmes posteriores do diretor.

O personagem chegou ao auge da fama quando, caracterizado de Zé do Caixão, usando capa, cartola e unhas enormes, o cineasta durante anos foi o apresentador do Cine Trash, um programa que passou durante a década de 1990 na Rede Bandeirantes, onde ele performava apresentações macabras para os filmes de terror da programação do canal.

O trabalho mais recente do diretor foi no programa O Estranho Mundo de Zé do Caixão, que foi transmitido pelo Canal Brasil até meados de 2015. Este era um programa de entrevistas, onde Mojica — também caracterizado como Zé do Caixão — conversava com celebridades e tirava dúvidas de internautas sobre assuntos sobrenaturais. Mas, nos últimos anos, o diretor já se mostrava cada vez mais debilitado, e em 2019, quando apareceu em uma reportagem especial da Record sobre a vida do cineasta, Mojica já apresentava um suposto quadro de Alzheimer.

Ao longo de sua carreira, o cineasta brasileiro recebeu muitos importantes prêmios internacionais de cinema, como o Prêmio Especial no Festival Internacional de Cine Fantástico y de Terror Sitges (Espanha), em 1973, por À Meia Noite Levarei Sua Alma, e o Prêmio do Júri Carnet Jove do Sitges - Catalonian International Film Festival, em 2008, por Encarnação do Demônio, além de em 2000 ter recebido o Prêmio Fantasporto por Carreira e Conjunto da Obra.

Fonte: Folha de S. Paulo

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