Diretor de WALL-E teve o crescimento da Amazon e da Apple como inspiração

Por Rafael Arbulu | 17 de Fevereiro de 2020 às 22h50

Andrew Stanton é uma lenda na Pixar: o diretor de WALL-E criou uma obra-prima que até hoje é referência no universo da animação cinematográfica. E olha que o filme saiu em junho de 2008. Falando ao podcast It Happened in Hollywood, do site Hollywood Reporter, Stanton detalhou um pouco mais sobre o que o levou a criar a película, inclusive creditando a Apple e a Amazon pela inspiração de toda a ambientação ecológica da narrativa do filme.

"Era uma coisa bem lógica na época...estamos falando de 2005 ou 2006, e isso me levou à toda a ciência por trás das escolhas ambientais e sociológicas que eu fiz”, ele explicou ao podcast. “Eu meio que fui na ideia do que estava acontecendo ao meu redor: a gente tinha entre duas e 12 caixas da Amazon chegando à minha porta, dia sim, dia não. Eu comecei a pensar ‘pra onde vai toda essa m****?”

Para quem não teve a oportunidade de assistí-la, WALL-E é uma animação criada pela Pixar (o mesmo estúdio por trás de Toy Story) que conta a história do último robô na Terra no futuro distante, no filme retratado como um planeta devastado por questões ambientais pertinentes ao consumo excessivo da raça humana — raça esta que ascendeu ao espaço, enveredada em tecnologia de última geração. O robô que dá nome ao filme é uma das máquinas coletoras de lixo que ficaram no planeta, no intuito de, talvez, um dia, torná-lo habitável de novo. É uma analogia bem forte sobre o desperdício e seu impacto no meio ambiente, bem como o quanto o consumo tecnológico em excesso nos priva de relações humanas.

Sobre esse último ponto, aliás, Stanton também tirou inspiração em outra grande empresa: “O iPhone saiu em 2006 [nota lateral: na verdade, o iPhone original chegou em 2007], dois anos antes do filme sair. Eu fui literalmente uma das primeiras pessoas a ter um iPhone antes de ele chegar para o mundo oficialmente por que o Steve [Jobs] era o nosso chefe. Eu comecei a brincar com ele e comecei a pensar ‘Por que isso é tão familiar? Isso é basicamente o futuro e não deveria haver nada nesse aparelho que fosse familiar’. Era a sua capacidade viciante”, Stanton se recorda.

Steve Jobs, dentro de um momento em que deixou a Apple, adquiriu a divisão de computação gráfica da Lucasfilme, renomeou-a "Pixar Animation Studios" e trabalhou como seu CEO até a aquisição da empresa pela Disney, em 2006.

O iPhone original (chamado depois de "iPhone 2G") e Steve Jobs, falecido CEO da Apple e ex-CEO da Pixar: caráter viciante do então mais avançado smartphone do mundo inspirou aspectos que levaram à criação da animação WALL-E, uma das mais celebradas da Pixar

De fato, uma boa parte do filme mostra como os humanos do futuro sequer andam com as próprias pernas, se locomovendo por meio de cadeiras e conversando entre si por visores do que hoje se convém chamar de “realidade aumentada”. Uma seção específica mostra como os humanos reagem com estranheza ao terem que interagir com outros pessoalmente, no famoso “olho-no-olho”.

Outras anedotas interessantes de Stanton: o visual do robô WALL-E veio de uma partida de beisebol em que ele estava com dificuldades de ver uma jogada em particular, então colocou um binóculo em cima de uma caixa. Isso levou à aparência “zoiúda e quadrada” do protagonista.

Fonte: Hollywood Reporter

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