Crítica | Em Miss Americana, Taylor Swift revela a sua ambição pela perfeição

Crítica | Em Miss Americana, Taylor Swift revela a sua ambição pela perfeição

Por Natalie Rosa | 02 de Fevereiro de 2020 às 08h22
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A Netflix lançou em seu catálogo Miss Americana, mais um documentário musical original que, desta vez, conta a história da cantora e compositora Taylor Swift, uma das maiores artistas pop da última geração.

Conhecida em todo o mundo, Taylor começou sua carreira no mundo do country e, eventualmente, acabou migrando para outro estilo, conquistando novos públicos e diferentes categorias nas premiações. O filme mostra o início da carreira, o processo de transição, problemas com a mídia, distúrbio de imagem, entre outros problemas que pesam nas costas de qualquer artista famoso mundialmente.

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Atenção: daqui em diante esta matéria contém spoilers do documentário Miss Americana.

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Miss Americana foi dirigido por Lana Wilson, profissional que, com apenas 37 anos de idade, já venceu o Emmy e o Spirit Awards (este duas vezes) pelos seus trabalhos. Ela recebeu a confiança de Taylor Swift, que nunca escondeu ser muito ambiciosa e perfeccionista, tendo o seu desejo visivelmente realizado no documentário: de parecer exatamente o que é, ambiciosa e perfeccionista.

Taylor Swift é uma artista que nunca escondeu o seu desejo de estar sempre no topo, não se contentando com o segundo ou terceiro lugar. Isso é muito bem retratado na produção da Netflix não só quando ela aparece visivelmente abalada por não ter sido indicada às categorias mais importantes do Grammy 2018, como quando ela diz que, como artista, achava que tudo o que tinha que fazer era estar perfeita para o público, acenando e recebendo a aprovação dele.

A reação de Taylor em relação ao caso do Grammy, ao menos na frente das câmeras, foi dizer que "tudo bem" e que ela teria que escrever um álbum melhor, como se esse fosse o único motivo pelo qual um artista cria suas músicas. Na época, ela concorria às premiações pelo disco Reputation.

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Contado em ordem cronológica e com narração da própria Taylor Swift, Miss Americana revive os anos em que os fatos mais marcantes da vida da artista aconteceram e com base na idade dela na época. Hoje, Taylor tem 30 anos recém-completados, mas a sua carreira começou quando ela ainda era pré-adolescente, quando ganhou o seu primeiro violão.

Não demorou para que ela começasse a compor as suas próprias músicas country, chamando a atenção das rádios locais e chegando ao mesmo patamar de outros artistas bastante conhecidos na cidade de Nashville, no Tenessee, para onde se mudou quando seus pais viram que o futuro da filha era promissor.

Miss Americana mostra mesmo a realidade de Taylor Swift?

Sempre vista como uma boneca Barbie perfeita, Swift tentou mostrar no documentário que é uma pessoa normal, como qualquer outra, e isso pode ser visto em singelos detalhes, como quando ela pega um cotonete antes do show para limpar os ouvidos, ou ainda quando come um burrito com bastante vontade e fala de boca cheia. Isso, no entanto, não convence, não é nada, mas tudo bem, sabemos que ela também tem seus momentos humanos, mesmo que não tenha sido mostrado.

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Ela comenta, inclusive, que a primeira vez que havia experimentado um burrito, iguaria mexicana que é bastante consumida nos Estados Unidos, pelo menos na costa Oeste, havia sido há apenas dois anos. A alimentação chegou a ser um problema para a cantora, que confessa ter passado por distúrbios alimentares em uma determinada época de sua carreira, chegando a passar mal no palco e achar que isso era normal e não porque não tinha uma alimentação adequada.

A cantora e compositora também confessa que quando via algo que não gostava nela mesma em fotos, ela simplesmente parava de comer, porque a definição de uma artista perfeita para o público era estar sempre magra e sem nenhuma saliência na barriga. Ela conta ter entendido que o corpo de uma mulher nunca vai ser o suficiente para não receber críticas e que isso a ajudou a mudar, mas o problema não foi abordado com coerência.

Sempre com o corpo padrão, Taylor não fica nem vermelha ao dizer que tem barriga, que prefere parecer gorda do que não ser saudável. Entendemos seu ponto, mas... Taylor? Gorda? São comentários como esse que poderiam ser deixados de lado e deixar para quem realmente sofre na sociedade por ser gorda falar sobre isso.

Polêmicas e posicionamento político

Muitas coisas melhoraram na vida de Taylor Swift, inclusive seus problemas alimentares, depois de ela ter passado por um momento de extremo estresse em sua carreira quando viu tudo o que construiu desmoronar. Para contar essa história, o documentário volta lá em 2009 quando, ao ganhar o prêmio de melhor videoclipe no MTV Music Awards, Kanye West invadiu o palco para dizer que a merecedora de verdade era Beyoncé e seu Single Ladies.

A partir desse momento, Taylor tentou se provar ainda mais e conseguiu, com muita ambição, chegar ao topo da forma que queria. Mas mesmo depois de ter se acertado com Kanye West, o rapper foi motivo de mais um drama: em uma de suas músicas, ele diz que fez "essa p*** famosa" e ainda sugeriu na letra que eles fizeram sexo. Licença poética do rap.

Após o lançamento da música, Taylor disse que se sentiu desrespeitada, mas logo Kim Kardashian, esposa de Kanye, divulgou um vídeo do marido conversando com a cantora por telefone e ela dizendo ter aprovado a letra da música, agradecendo ainda por ele ter perguntado se estava tudo bem fazer isso.

Imagem: Reprodução

Foi quando a carreira de Taylor deu uma reviravolta por completo, sendo taxada de "cobra" para baixo, chegando até a ser chamada de "a pior pop star do mundo". Mas, marqueteira como sempre foi, ela ficou um ano inteiro longe dos holofotes, vivendo a sua vida pessoal e recuperando a sua saúde física e emocional. Essa fase, no entanto, ainda não mostra de forma tão aprofundada como foi esse baque para ela, focando mais em como ela superou do que dar alguma justificativa.

Assim como todo o disco Reputation, que fala sobre a sua reputação, Taylor não reconhece os momentos que deve ter errado na divulgação da sua imagem, nem deixando exatamente claro o que aconteceu na conversa com o Kanye West e Kim Kardashian.

A sua volta ficou marcada por, finalmente, ter um posicionamento político. Esse momento, inclusive, é o mais real de todos os momentos em que ela tentou ser verdadeira no documentário. Claramente republicano, ela bate boca com o seu pai por ter o desejo de manifestar a sua posição política, que vai contra os ideais de Donald Trump e seus aliados, focando nas eleições do Tenessee, quando uma candidata republicana que vai contra o direito das mulheres e da comunidade LGBTQ+ venceu.

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Outro momento marcante é quando o documentário aborda o caso de assédio sexual enfrentado por ela, quando um radialista a assediou, com a ação sendo flagrada em foto. Ela conta que foi esse acontecimento que fez com que ela sentisse que seria uma causa na qual ela precisa lutar, porque se foi difícil acreditar em uma mulher branca, rica, famosa e com provas, imagina para quem não é e não tem nada disso.

Por fim, o Miss Americana mostra de forma interessante a vida por trás das câmeras e dos holofotes para os fãs, principalmente revelando bastante sobre o processo criativo da cantora, mas trata sua pessoa, humana, de forma rasa. Taylor pode ter superado o desejo de ser a pessoa perfeita e a melhor artista, mas ainda tem muito a aprender para descobrir que não se pode ter isso sempre. Infelizmente, Taylor Swift ainda precisa maneirar na alimentação do ego sem deixar que isso afete o processo criativo de suas músicas.

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