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Crítica A História da Minha Mulher | Filme é lento e apático demais para agradar

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Reprodução/ Palosanto Films
Reprodução/ Palosanto Films

Assinado pela cineasta húngara e vencedora do Urso de Ouro de Berlim, Ildikó Enyedi, o drama A História da Minha Mulher tem quase três oras de duração e mostra por que Ildikó não conseguiu, neste longa, o mesmo êxito que o fez ganhar o prêmio por Corpo e Alma em 2017.

A verdade é que o filme tem, de fato, uma sinopse interessante, mas se perde na sua própria narrativa, tornando-se morno e apático demais para prender a atenção de qualquer audiência possível.

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Baseado no romance homônimo do escritor húngaro Milán Füst, a trama acompanha Jacob Störr (Gijs Naber), um capitão naval que está sendo corroído pela azia e solidão e que, aconselhado por um amigo, decide se casar.

Com isso em mente, ele se reúne com o charlatão Kodor (Sergio Rubini), seu outro amigo de longa data, em um restaurante qualquer. É lá que ele decide que se casará com a primeira mulher que entrar no local. E quem é essa mulher? A bela e inconstante Lizzy, vivida por Léa Seydoux, que coleciona em seu currículo obras como Azul é a Cor Mais Quente e 007- Sem Tempo Para Morrer.

Com uma pitada de comédia, esse momento se torna risível e ainda mais surpreendente quando a jovem diz "sim" para o, até então, desconhecido homem que está à sua frente.

A partir daí, inicia-se uma história de amor que mais parece um jogo de gato e rato, onde um caça no outro motivos para insegurança, ansiedade e traição. Aliás a traição é praticamente o fio condutor da trama, mas a narrativa não ganha força suficiente para instigar no público qualquer curiosidade sequer.

Isso porque boa parte da história do longa fica nas entrelinhas e é contada mais pela belíssima fotografia do que pelos diálogos. Porém, faz falta que mais informações apareçam em cena. Apesar do título, não chegamos a descobrir de fato qual é a história da mulher de Jacob, nem porque ela aceitou se casar com ele tão rapidamente.

Outra trama que é um tanto quanto mal desenvolvida é o quarteto amoroso que se forma com a entrada de Dedin (Louis Garrel) e Grete (Luna Wedler). Apesar de bons atores, seus coadjuvantes ficam pelo meio do caminho, servindo apenas como apoio para as rixas dos protagonistas.

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Elenco cativante, mas com barreira idiomática

Por falar nos atores, podemos dizer que A História da Minha Mulher acertou em cheio na escolha do elenco. Tanto os coadjuvantes como, por exemplo, Kodor e o detetive (vivido por Udo Samel) e os dois citados acima agradam, assim como os protagonistas.

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Gijs Naber, que vive Jacob — e tem em seu currículo Judas e Fiéis —, forma uma boa dupla com Léa, demonstrando química tanto nas cenas amorosas e sexuais quanto nas de briga. A barreira idiomática, no entanto, não passa despercebida. Por ser um elenco multicultural, o inglês foi eleito como o idioma padrão, mas fica nítido que ele não consegue suportar a paixão que alguns diálogos pedem. Fato que pode desagradar alguns espectadores, mas não estraga a experiência no geral.

E se os diálogos às vezes deixam a desejar, a fotografia não decepciona em momento algum. Comandada pelo diretor de fotografia Marcell Rév, de Euphoria, as imagens são de encher os olhos e fazem do longa uma bela obra de arte.

Um filme que tenta ser vários e acaba sendo comum

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Voltando aos problemas, no entanto, o que mais incomoda em A História da Minha Mulher é que o filme tenta se aventurar em vários estilos ao mesmo tempo. É dramático, cômico, satírico e até sobrenatural no desfecho, mas não foca no que mais importa: o desenvolvimento do enredo, se tornando uma história circular que corre atrás do próprio rabo.

Não é de todo ruim, é claro! E com belas imagens conta quase uma fábula sobre como nasce e morre o amor, mas poderia ser melhor, e é essa a principal sensação que fica em quem está assistindo.

Ainda assim, vale uma chance se você estiver com tempo e disposição. Lembrando que o filme estreia nos cinemas de todo o Brasil no dia 15 de junho.