Paramount abandona formato 35mm e anuncia distribuição exclusivamente digital

Por Redação | 20 de Janeiro de 2014 às 12h08

Por mais que combatam a distribuição digital ilegal dos seus filmes, parece que finalmente os estúdios de Hollywood estão se reinventando. É que, de acordo com o Los Angeles Times, a Paramount Pictures decidiu abandonar o tradicional formato de distribuição de filmes em rolos de 35 milímetros, que é utilizado há mais de 100 anos, e adotar de vez a distribuição digital.

Indicado ao Oscar 2014, "O Lobo de Wall Street" é o primeiro filme do estúdio a ser distribuído única e exclusivamente em formato digital e, de acordo com a própria Paramount, a comédia estrelada por Will Ferrel, "Tudo por um Furo", foi o último filme do estúdio a ser distribuído no antigo formato de 35mm. Anteriormente, somente os curta-metragens e documentários eram distribuídos digitalmente pela Paramount.

A decisão histórica foi tomada para encorajar outros estúdios a segui-la e acelerar o processo de eliminação completa das películas que poderia acontecer até o fim do ano.

"Isso tem um significado enorme, pois a Paramount é o primeiro estúdio a tornar essa estratégia pública", disse Jan-Christopher Horak, diretor do UCLA Film & Television Archive. "Por 120 anos as películas 35mm foram escolhidas para a distribuição de filmes aos cinemas. Agora nós estamos presenciando o fim disso. Não estou impressionado por ter acontecido, mas sim com a rapidez com que tem acontecido".

Até agora o estúdio não se pronunciou oficialmente sobre a decisão e, já que ninguém retornou o contato do jornal angelino, aparentemente, nenhum dos seus funcionários está autorizado a falar sobre o assunto.

O silêncio da Paramount reflete uma preocupação existente em Hollywood de que nenhum estúdio quer ser visto como o primeiro a abandonar o filme de 35mm, considerado pelos puristas um sinal distintivo. Há quem diga que outros estúdios estão relutantes em abrir mão da bilheteria de cinemas que só podem reproduzir no antigo formato.

No entanto, somente 8% dos cinemas estadunidenses ainda não se adequaram apropriadamente para exibir filmes digitalmente e não demorará muito para que eles o façam. Isso porque, num futuro muito próximo, os estúdios pressionarão essas salas de exibição a fazê-lo, já que os custos da distribuição digital são infinitamente inferiores e abrem novas possibilidades, como a exibição de filmes 3D e até mesmo transmissões via satélite no futuro. Para se ter uma ideia, a confecção de uma película com o filme custa em torno de US$ 2.000, enquanto a distribuição digital do mesmo filme custa menos de US$ 100.

A expectativa é que outros estúdios abracem o formato digital e passem a distribuir suas produções exclusivamente nesse formato. Em 2011 a 20th Century Fox enviou um comunicado aos exibidores dizendo que pararia a distribuição em rolos de filme "nos próximos dois anos". A Disney também enviou um comunicado semelhante aos cinemas há algum tempo.

Apesar de benéfica para a indústria como um todo, a migração completa para o formato digital afetará, principalmente, as pequenas salas de projeção de pequenas cidades. Os custos de troca de equipamento são enormes e um projetor digital não custa menos que US$ 70.000. Proprietário de uma pequena rede de cinemas no estado da Dakota do Sul, Jeff Logan investiu mais de US$ 700.000 para equipar seus três cinemas com o novo equipamento digital. No entanto teve que fechar um antigo drive-in da década de 1940 por não ter condições de readequá-lo ao novo formato. "Buscamos por financiamentos", disse Logan. "Mas seria impossível pagar as parcelas com o que é arrecadado pelo cinema".

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