Publicidade
Economize: canal oficial do CT Ofertas no WhatsApp Entrar

Seria o Monstro do Lago Ness uma enguia gigante?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 27 de Julho de 2023 às 16h29

Link copiado!

Johnny Africa/Unsplash
Johnny Africa/Unsplash

Há quase 100 anos as pessoas discutem a existência ou não do Monstro do Lago Ness, que habitaria ou habitou as águas geladas da Escócia. Até hoje, não existem provas concretas sobre o ser folclórico, apenas relatos dos mais variados. Entre as explicações para as aparições, está a possibilidade do animal lendário ser, na verdade, um enguia gigante.

A ideia da enguia surge baseada na icônica — e sabidamente falsa — foto do Monstro do Lago Ness, feita por Marmaduke Wetherell. No “registro” e nas descrições clássicas, o ser aparece com um longo pescoço e uma cabeça relativamente pequena. Isso poderia gerar confusão, considerando a existência de uma enguia gigante, vista de longe.

A seguir, veja o registro falso do monstro:

Continua após a publicidade

A busca pelo verdadeiro Monstro do Lago Ness

Embora seja estranha a ideia do monstro ser uma enguia, há algum embasamento na hipótese. Durante muitos anos, diferentes expedições, drones submarinos e equipes reviraram o Lago Ness, na Escócia, e nunca encontraram nada relevante para justificar a lenda. Só que coisas interessantes foram descobertas ao longo do tempo.

Em 2018, pesquisadores neozelandeses da Universidade de Otago, incluindo o geneticista Neil Gemmell, lideraram uma missão internacional na busca por vestígios do monstro. Cerca de 250 amostras de DNA ambiental (eDNA) foram coletadas, extraídas e sequenciadas de diferentes pontos do lago.

Não foi possível encontrar nenhum tipo de DNA conectado ao dinossauro plesiossauro (gênero Plesiosaurus), por exemplo. Para muita gente, o monstro era um espécime muito longevo do antigo dinossauro, que habitou o planeta no início do Jurássico, há aproximadamente 200 milhões de anos, ou um ainda descendente. Colaborando com a narrativa, fósseis do dinossauro já foram encontrados em rios, de água doce, como um lago — não eram exclusivamente animais marinhos.

Agora, considerando os DNAs encontrados, foi possível confirmar que o lago era habitado por uma espécie de enguia comum na Europa, a Anguilla anguilla. Embora elas sejam pequenas na maioria das vezes, com menos de 1 m, é possível supor que alguma poderia ter crescido além do normal.

Apesar da aparente conclusão, o cientista Gemmell avisou: “Mais investigações são necessárias para confirmar ou refutar a teoria, mas, com base em nossos dados, as enguias gigantes continuam sendo uma ideia plausível”.

Continua após a publicidade

O monstro não é uma enguia gigante

Por muitos anos, a estranha possibilidade perdurou até que o cientista de dados Floe Foxon, da Sociedade de Zoologia Folclórica (FZS), nos Estados Unidos, resolveu investigar a possibilidade estatística de uma enguia ter crescido ao ponto de ser confundida com um monstro. Publicado nesta semana, na revista JMIRx Bio, o novo estudo revela que a probabilidade é virtualmente zero desse crescimento atípico.

Para começar a sua pesquisa, Foxon partiu do tamanho das enguias capturadas no Lago Ness e em outras regiões europeias. No total, foram consideradas 20 mil enguias daquela espécie, sendo que o tamanho máximo foi de 0,932 m. Agora, o comprimento máximo fisiologicamente é estimado em 1,3 metros, mas uma anomalia genética ainda poderia ser uma possibilidade.

Continua após a publicidade

Segundo o pesquisador, a probabilidade de se encontrar uma enguia de 1 m no lago escocês é de 1 em 50 mil. “No entanto, a probabilidade de encontrar um espécime acima de 6 metros é essencialmente zero”, afirma. “Portanto, as enguias provavelmente não são responsáveis ​​por avistamentos de animais maiores” e nem do monstro, completa.

Apesar da conclusão decepcionante para os apaixonados pelo Monstro do Lago Ness, Foxon lembra que "a interseção entre folclore e zoologia é passível de análise científica e tem o potencial de fornecer informações valiosas sobre fenômenos antropológicos". Por enquanto, a lenda permanece inexplicada.

Fonte: JMIRx BioJMIR News e Universidade de Otago