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Acelerador de partículas em um chip pode ajudar no tratamento do câncer

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Universidade de Stanford
Universidade de Stanford

Assim como um computador reduziu o tamanho de um andar inteiro na década de 1970 para caber em nossos bolsos — e com muito mais potência, inclusive — nos dias atuais, um acelerador de partículas também pode ser transformado em algo muito menor e mais portátil. Ao menos é o que acreditam e, mais do que isso, demonstram pesquisadores da Universidade de Stanford.

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Uma equipe liderada pela engenheira elétrica Jelena Vuckovic conseguiu criar um chip de silício que pode acelerar elétrons e substituir, ao menos para alguns experimentos, o gigantesco SLAC National Accelerator Laboratory, acelerador de mais de 3 km de comprimento e um dos poucos do tipo no mundo. É óbvio que a versão muito reduzida não tem a mesma potência, mas é o suficiente para grande parte dos experimentos.

“Os aceleradores maiores são como telescópios poderosos. São poucos no mundo e cientistas precisam vir a lugares como o SLAC para usá-los”, disse Vuckovic. “Queremos reduzir a tecnologia do acelerador a ponto de criar ferramenta de pesquisa mais acessível”, explicou.

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A versão miniaturizada usa laser infravermelho para criar o aumento de energia necessário para levar as micro-ondas em uma espessura menor que um fio de cabelo. Segundo o artigo publicado na revista Science, o chip emite luz infravermelha através de silício para atingir elétrons no momento certo, pelo ângulo exato, acelerando-os. Aqui é bom notar que, para a luz infravermelha, o silício é tão transparente quanto o vidro é para a luz visível ao olho humano,

A ferramenta demonstrada ainda é um protótipo. O design e as técnicas de fabricação, no entanto, podem ser desenvolvidos para criar aceleradores potentes o bastante para experimentos que não exijam o massivo poder de um acelerador gigantesco. E a tecnologia também pode ser aproveitada em outros campos, de acordo com o físico Robert Byer, co-autor do estudo.

“Nesse artigo, começamos a mostrar como pode ser possível entregar radiação de feixe de elétrons diretamente para um tumor, deixando o tecido saudável a salvo”, explicou. Ou seja, a tecnologia poderia ajudar, também, no tratamento do câncer. Atualmente, a radioterapia é realizada em salas enormes, onde o paciente fica totalmente exposto à radiação, usando algumas proteções para minimizar efeitos colaterais em áreas do corpo saudáveis.

Processo de desenvolvimento

A ideia para construir o acelerador miniaturizado surgiu do aluno de graduação Neil Sapra. Junto à equipe de Vuckovic, ele pensou no processo de construção de maneira invertida, começando pelo final. Um acelerador tradicional é construído com um design básico, no qual são realizadas simulações até que se alcance a maior aceleração possível.

Porém, esses aceleradores usam micro-ondas, em vez de luz infravermelha. Há uma boa diferença no comprimento de onda, sendo que a infravermelha pode ter um décimo da espessura de um fio de cabelo, contra 4 polegadas das microondas, medindo da crista ao vale.

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Por isso a luz infravermelha consegue acelerar elétrons a uma distância tão pequena, quando comparado às micro-ondas. Mas, para dar certo, o chip precisa ser 100.000 vezes menor que as estruturas de cobre de um acelerador tradicional. O que exigiu uma nova abordagem na engenharia de fotônica e litografia nos chips de silício.

Para resolver a equação, a equipe de Vuckovic pegou um algoritmo desenvolvido por eles mesmos para fazer os cálculos invertidos, especificando a quantidade de energia eles queriam que o chip entregasse para que o computador dissesse como construir as estruturas em nanoescala para que os fótons entrassem em contato de maneira que gerasse o fluxo de elétrons necessário.

“O design inverso às vezes pode trazer soluções que a engenharia humana poderia não ter pensado”, disse R. Joel England, outro co-autor do artigo e membro da equipe do SLAC.

O resultado foi um acelerador miniaturizado que pode funcionar, também, como uma evolução no tratamento do câncer. Olav Solgaard, mais um co-autor do artigo, já pensa em uma maneira de transportar a ideia para criar uma terapia com elétrons energizados, que não se usa atualmente porque poderia queimar a pele.

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“Podemos conseguir benefícios médicos da miniaturização da tecnologia do acelerador além das aplicações em experimentos”, disse o cientista. Sua ideia é canalizar esses elétrons de um acelerador miniaturizado por um tubo a vácuo parecido com um catéter, a ser inserido por baixo da pele, bem próximo ao tumor, administrando a terapia radioativa cirurgicamente.

Fonte: Phys.org