O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (19/11/2019)

Por Patrícia Gnipper | 19 de Novembro de 2019 às 18h10

E aí, conseguiu acompanhar o noticiário da última semana? Está por dentro das notícias mais impactantes do universo da ciência? Se sua resposta for "não", fique tranquilo: chegou mais um resumo do Canaltech com tudo de importante que rolou no noticiário científico dos últimos dias! Assim, você fica bem informado com poucos minutos de leitura.

Acordo para Base de Alcântara é aprovado pelo Senado

Depois da aprovação da Câmara, agora chegou a vez de o Senado aprovar o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) entre o Brasil e os Estados Unidos para o uso da Base de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão.

O acordo garante a proteção de tecnologias americanas usadas em foguetes e satélites lançados a partir da base brasileira, e agora o projeto passa para a próxima fase, que contempla a elaboração do plano de operações comerciais. A expectativa é que os lançamentos comecem em 2021.

Planeta Nove no radar?

É possível que o telescópio espacial TESS já tenha achado pistas sobre a existência do Planeta Nove — objeto grande o suficiente para ser considerado um planeta que pode existir no Cinturão de Kuiper, pois algo bastante massivo na região influencia a órbita de pequenos objetos que estão por lá. Contudo, ainda não foi possível encontrar tais pistas em meio aos dados coletados pelo TESS.

O telescópio "olha" fixamente para áreas específicas do céu por longos períodos. Então, em teoria, é possível que, quando esteve "olhando" para regiões onde o Planeta Nove pode estar, coletou dados sobre ele. Para descobrir isso, seria preciso usar uma técnica chamada de rastreamento digital. Como o TESS tira muitas fotos do mesmo campo de visão, se essas imagens forem empilhadas, objetos mais fracos, que ficariam ocultos à primeira vista, podem se tornar proeminentes — e é isso o que uma equipe de pesquisadores está disposta a fazer.

Nova missão lunar indiana em 2020

Conceito do módulo Vikram, que não pousou com sucesso na missão Chandrayaan-2 (Imagem: ISRO)

Depois de não ter feito um pouso bem sucedido com o módulo Vikram da missão Chandrayaan-2 na Lua, a Índia não desistiu desta ideia e anunciou que tentará este feito mais uma vez em novembro de 2020, com a missão Chandrayaan-3. A ideia é levar de novo um rover à superfície lunar, além do módulo de pouso, para fazer os estudos que estavam previstos na missão anterior.

Fluxo sanguíneo de astronautas é afetado pelo espaço

Além dos riscos já conhecidos à saúde de astronautas que passam muito tempo no espaço, um novo estudo acaba de revelar que a permanência prolongada na microgravidade pode interromper ou até mesmo reverter o fluxo sanguíneo da parte superior do corpo.

O modo como o sangue flui através da veia jugular é afetado e, segundo a NASA, é por isso que alguns astronautas ficam com rostos inchados, pois não há gravidade para puxar os fluidos que circulam na parte superior do corpo. Ainda, há riscos de os astronautas desenvolverem coágulos na jugular — algo que realmente aconteceu com um astronauta que passou meses na ISS. A descoberta, apesar de preocupante, é bem-vinda: com esse conhecimento, a ciência consegue desenvolver novos tratamentos e intervenções para evitar esse problema em futuras viagens espaciais de longa duração.

Confirmada existência de água em Europa, lua de Júpiter

Usando um dos maiores telescópios do mundo (o Keck, no Havaí), pesquisadores confirmaram a existência de vapor de água na superfície de Europa, uma das luas de Júpiter onde acredita-se existir um oceano líquido abaixo de sua crosta congelada. Ainda que a detecção não tenha sido de água líquida exatamente, a descoberta é quase tão boa quanto, pois foi encontrada água em forma de vapor.

Sendo assim, é possível que o oceano subterrâneo de Europa tenha todos os ingredientes necessários para que a vida floresça. Essa água por vezes é expelida para acima da superfície por meio de gêiseres, que são aberturas na crosta congelada (algo que também acontece em Encélado, lua de Saturno). A NASA vai estudar Europa de pertinho com uma sonda que deve ser enviada em 2023, como parte da missão Europa Clipper.

Lua Titã, de Saturno, é coberta por material orgânico

Lua Titã, de Saturno

Outra lua de bastante interesse no Sistema Solar é Titã, de Saturno, por ter nuvens, atmosfera densa e geologia que lembra a da Terra — com a diferença de que, lá, os oceanos líquidos são compostos por metano e etano, em vez de água. Agora, um estudo mostra que esta lua é coberta por material orgânico, além de tudo.

Os cientistas conseguiram mapear a superfície de Titã e, nos polos, a umidade faz com que o metano permaneça em estado líquido o tempo todo, enquanto, em outras áreas, há a formação de nuvens com "chuvas" de gás. Sendo assim, formações geológicas diferentes são encontradas de acordo com a latitude, e a presença de planícies orgânicas foi uma surpresa. A NASA também vai enviar uma sonda a esta lua de Saturno para estudá-la de pertinho com a missão Dragonfly, que deve ser lançada por volta de 2034.

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