Nova rede neural mostra que é possível ligar cérebro a computador sem usar fios

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 14 de Abril de 2021 às 13h00
Reprodução

Uma nova técnica desenvolvida por cientistas da Universidade Brown, nos EUA, promete melhorar a tecnologia usada atualmente para conectar o cérebro humano a dispositivos eletrônicos. Em vez de cabos ligando corpo e máquina, será possível criar uma interface neural sem fios, aproveitando a velocidade das conexões de banda larga.

Hoje em dia, quando é preciso registrar sinais cerebrais, os cientistas recorrem a um método chamado de interface cérebro-computador intracortical (BCI da sigla em inglês). O dispositivo possui uma série de eletrodos que são implantados no córtex motor do paciente. Os sinais emitidos por esses dispositivos são transmitidos através de uma abertura no crânio, que se conecta aos cabos para enviar os dados para um computador externo.

BCI conecta cérebro ao computador (Imagem: Reprodução/Youtube National Science Foundation)

O problema é que os pacientes precisam estar fisicamente conectados a esse sistema, o que acaba limitando a mobilidade e interferindo na qualidade de vida dessas pessoas que necessitam ficar o tempo todo ligadas a uma máquina.

“Agora nós demonstramos que um BCI sem fio pode gravar sinais cerebrais com a mesma qualidade de um dispositivo com fio, por até 24 horas e sem que o paciente precise sair de casa”, disse o responsável pelo estudo, John Simeral.

Versão 2.0

O estudo das interfaces neurais sem fios foi baseado em um protótipo de transmissor projetado pelos engenheiros da universidade em 2014. O sistema original funcionava com cabos e era ligado a um equipamento chamado BrainGate, com 96 eletrodos que precisavam ser implantados no crânio do paciente.

O novo transmissor tem apenas cinco centímetros de diâmetro e pode ser conectado à mesma saída craniana usada pelos dispositivos com fios. A diferença é que, em vez de ficar com um emaranhado de cabos pendurados na cabeça, os sinais são transmitidos para antenas posicionadas na sala, no quarto ou em qualquer lugar onde o paciente esteja.

Nas imagens (acima e abaixo) é possível ver dois pacientes paralisados por lesões na medula espinhal movendo o cursor do mouse no computador para escrever ou acessar aplicações distintas. Em vez de terem que ir a um hospital ou laboratório, eles conseguiram cumprir as tarefas sem sair de casa.

Futuro promissor

Além de garantir mobilidade aos pacientes, os transmissores sem fio possuem uma bateria que dura cerca de 36 horas, o que permite um monitoramento constante mesmo a quilômetros de distância.

Outra vantagem é a utilização de sistemas de banda larga, fator ausente nos equipamentos da geração passada que dificultava a transmissão de dados em tempo real. “A evolução dos BCIs intracorticais sem fio é um grande passo em direção ao uso funcional de interfaces neurais de alto desempenho totalmente implantadas”, disse a coautora do estudo Sharlene Flesher.

Os pesquisadores esperam agora que a descoberta desperte o interesse de empresas como a Neuralink e a Kernel, que há anos buscam soluções práticas para transformar as interfaces neurais em dispositivos acessíveis, autônomos e minimamente invasivos.

Você acha que no futuro cérebros e computadores estarão totalmente conectados? Comente.

Fonte: Singularity HubIeeexplore

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