Estrutura que retém radiação em Chernobyl está caindo e deverá ser desmontada

Por Daniele Cavalcante | 08 de Agosto de 2019 às 11h57
Denis Sinyakov/Greenpeace

Na usina nuclear de Chernobyl, há uma enorme estrutura de concreto construída em torno da unidade onde está o reator nuclear 4, que explodiu em 26 de abril de 1986, causando o maior desastre industrial e ambiental da história. A estrutura, chamada “sarcófago”, teve sua construção iniciada em 20 de maio de 1986, e foi projetada para deter a liberação da radiação na atmosfera. Agora, o sarcófago precisa que ser desmontado antes que desmorone por completo.

Cerca de 600.000 trabalhadores soviéticos trabalharam na construção ao redor do reator. O processo expôs muitos deles a níveis perigosos de radiação, e pelo menos 31 pessoas morreram de doenças por consequência da exposição. Ele retém 200 toneladas de cúrio radioativo, 30 toneladas de pó altamente contaminadas e 16 toneladas de urânio e plutônio.

O sarcófago em 1998. Foto: Efrem Lukatsky/Reuters

Acontece que, durante a construção, o edifício tornou-se radioativo demais. Era impossível parafusar diretamente as porcas e parafusos e realizar soldagens, e o trabalho passou a ser feito por robôs. Ainda assim, as juntas do sarcófago não foram devidamente seladas. A corrosão das vigas de apoio causadas pela chuva ameaçam o sarcófago e a água está vazando para dentro pelos buracos em seu telhado. Isso contamina essa água com radioatividade, e ela acaba se infiltrando no solo.

Toda essa estrutura, com 400.000 metros cúbicos de concreto e cerca de 16 milhões de libras de aço, deve ser desmontada. A SSE Chernobyl NPP, empresa ucraniana que administra Chernobyl, disse em uma declaração que as avaliações dos especialistas revelaram que o sarcófago tinha uma probabilidade "muito alta" de entrar em colapso. Apenas a gravidade manteve a estrutura presa aos blocos que serve de suporte.

Por isso, em 29 de julho, a empresa assinou um contrato de US$ 78 milhões com uma construtora para desmontar o sarcófago até 2023. Os trabalhadores que assumirem a missão terão que reforçar o sarcófago enquanto suas partes forem desmontadas, e terão ajuda de guindastes robóticos. As peças serão limpas e enviadas para reciclagem ou descarte.

A New Safe Confinement. Foto: Gleb Garanich/Reuters

No entanto, não é preciso fircarmos (muito) preocupados. Ao redor do sarcófago, foi construída uma segunda estrutura, apresentada ao público em 2016. Com 32.000 toneladas, a New Safe Confinement permite que o sarcófago original possa ser desmontado sem que a radiação escape para a atmosfera. Suas peças foram montadas na Itália, e depois transportadas por meio de 18 navios e 2.500 caminhões.

Uma vez que o sarcófago tenha sido desmontado, os trabalhadores começarão a árdua tarefa de limpar o lixo radioativo que ainda permanece no reator número 4. O processo envolverá a aspiração de partículas radioativas e a limpeza da "lava" que se formou quando os trabalhadores soviéticos despejaram areia, chumbo e boro no reator em chamas. Estima-se que esse trabalho demore bastante — deve terminar apenas em 2065.

Fonte: ChNPP, Business Insider

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