DNA europeu sofreu mudança pela seleção natural nos últimos três mil anos

DNA europeu sofreu mudança pela seleção natural nos últimos três mil anos

Por Ingrid Oliveira | Editado por Luciana Zaramela | 26 de Novembro de 2021 às 14h25
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Em um novo estudo publicado na Nature Human Behavior, pesquisadores da Universidade Jiao Tong, de Xangai, China, tentando entender a evolução humana, descobriram que a seleção natural — teoria proposta no século 19 pelo naturalista Charles Darwin — modificou a genética das pessoas na Europa nos últimos três mil anos.

A seleção natural é um dos mecanismos da evolução da vida e mudou o entendimento de como as espécies modificam-se ao longo dos anos. A ideia consiste em uma luta constante pela sobrevivência, basicamente. O organismo que mais se adequasse às mudanças do habitat, como chuvas, seca, alimentos, conseguiria sobreviver e teria mais chances de reproduzir-se. Lá em 1859, Darwin não conhecia os genes e os mecanismos de hereditariedade, o que deixou uma lacuna em seu trabalho, que foi preenchida posteriormente.

A pesquisa, liderada por Weichen Song, da Universidade Jiao Tong de Xangai, usou dados genéticos humanos modernos do UK Biobank e do Psychiatric Genomics Consortium, ambas bases de informações que abrigam referências de milhares de pessoas no Reino Unido.

O time de pesquisadores cruzou as informações com o DNA antigo de toda a Europa e do Oriente Próximo, fornecendo informações sobre as mudanças no genoma humano nos últimos 45 mil anos. Analisando 870 características criadas pelos genes, eles descobriram que 88% delas (755) foram alteradas devido à seleção natural nos últimos dois a três mil anos.

88% dos genes dos europeus sofreram alteraçãos nos últimos três mil anos (Foto: eggy und Marco Lachmann-Anke/Pixabay)

Principais mudanças genéticas

Quando se fala em herança genética, estamos falando sobre a forma como os organismos recebem e transmitem as características biológicas de geração para geração. No caso da pesquisa, as descobertas mais intrigantes, segundo os pesquisadores, mostraram que a pigmentação da pele, medidas corporais e as características dietéticas (referentes aos nutrientes) estavam "continuamente sob intensa pressão de seleção" ao longo das escalas de tempo investigadas.

E os cientistas têm uma explicação para isso. Por exemplo, as mudanças na cor da pele são devidas a um ato de equilíbrio de redução dos danos de raios ultravioleta, necessidades importantes de vitamina D e regulação do calor. Na verdade, um dos primeiros britânicos, o Homem Cheddar, tinha pele escura.

O estudo também apontou que algumas mudanças ocorreram junto com a ecologia, clima e migração para a região. Além disso, algumas doenças não desapareceram como os cientistas esperavam. Fatores genéticos associados a condições como anorexia nervosa e doença inflamatória intestinal diminuiram, mas os casos continuaram a existir.

Ainda que as descobertas apresentem importância no entendimento da evolução humana, este é apenas um fator preliminar que necessita de um trabalho mais amplo e detalhado. Os pesquisadores descreveram que os resultados são limitados pelo uso de dados exclusivamente europeus e de estudos de associação do genoma, que identificam associações entre variantes genéticas e fenótipos.

Fonte: Nature Human Behavior; IFL Science  

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