Desafios do Século 21: Exteligência e o emburrecimento das pessoas

Por Fernando D´Angelo | 12 de Fevereiro de 2021 às 10h40
Reprodução / Facebook

“Hoje temos mais informação disponível, mas menos informação utilizável! ... a Internet torna os espertos mais espertos, e os idiotas mais idiotas”

– Walter Longo, na Welcome Tomorrow 2019.

Com a internet, os smartphones e os aplicativos, estamos cada vez menos exigindo raciocínio de nosso cérebro. “Hoje, buscamos na internet informações que satisfaçam nossa curiosidade diversiva (aquela curiosidade mais fútil e sem profundidade) e a curiosidade empática (a curiosidade de saber da vida alheia) e estamos deixando muito pouco espaço para a curiosidade epistêmica (a curiosidade mais analítica, profunda, que incita questionamentos e raciocínio mais profundo).” – Walter Longo, na WTW 2019.

Nós temos um conhecimento embarcado. A memória, a capacidade de fazer cálculos, inferências e predições, de perceber o tempo e a hora, de conectarmos informações provenientes de diferentes origens e gerarmos novas ideias e insights. E estamos mandando esse conhecimento embarcado para fora:

O Google tem as respostas, então não precisamos mais decorar nos nomes dos rios, ou dos estados e todas as capitais brasileiras, por exemplo. O Waze nos mostra o caminho. A calculadora faz cálculos. O smartphone nos avisa dos compromissos importantes e nos lembra dos telefones de nossos amigos — e em muitas outras situações nos deparamos com este tipo de atitude.

Estamos delegando a dispositivos fora de nosso cérebro funções que eram prioritariamente mentais, e com isso, estamos tornando nosso cérebro preguiçoso. Estamos literalmente emburrecendo e perdendo nosso poder de criatividade.

Um neurocientista francês chamado Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, apresentou em 2020 um estudo que demonstra de forma enfática como os dispositivos digitais estão afetando seriamente o desenvolvimento neural de crianças e jovens.

Estamos criando uma sociedade com mais inteligência em rede, mas com menos inteligência individual. E considerando o avanço dos algoritmos de Inteligência Artificial, muito em breve estaremos confiando a esses algoritmos a tomada de decisões. E então a IA vai decidir onde trabalharemos, o que faremos, com quem casaremos, o que vamos comer, etc.

E neste ponto, cito Yuval Harari (HSM Expo 2019): “Afinal, qual será o significado da vida quando todas as decisões importantes serão feitas por algoritmos?”

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*Este artigo foi inspirado na palestra de Hugh Herr na HSM Expo 2019.

Agradecimentos à HSM e sua assessoria de imprensa pelo convite para acompanhar o evento HSM Expo 2019.

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