Cientistas estudam como 1 bilhão de anos estão faltando em registros geológicos

Cientistas estudam como 1 bilhão de anos estão faltando em registros geológicos

Por Natalie Rosa | 18 de Maio de 2020 às 09h53
Reprodução: Geologic Time Pics

Nosso planeta tem cerca de 4,5 bilhões de anos de história para conta, mas uma descoberta recente mostra que existem algumas partes do desenvolvimento da formação rochosa terrestre que não foram registradas, chegando a uma teoria chamada Grande Inconformidade.

Dados sobre as formações rochosas do planeta são essenciais para estudar a evolução do meio ambiente em que vivemos, permitindo que geólogos de todo o mundo entendam questões importantes sobre o desenvolvimento da Terra. No entanto, como há algo faltando, a missão agora é descobrir o que não existe mais e para onde foi, sendo então essa inconformidade uma grande lacuna de tempo não preenchida.

Uma das formações rochosas mais conhecidas, o Grand Canyon, é o foco das pesquisas devido a sua inconformidade geológica, algo que foi observado pela primeira vez em 1869, por John Wesley Powell. Agora, quem está estudando o assunto é Francis Macdonald, geólogo da Universidade de Santa Bárbara, ao lado de equipes da Universidade do Colorado, em Boulder, e do Colorado College. O pesquisador revelou que por lá existem grandes inconformidades no registros rochosos da Terra, o que o motivou a tornar essa questão um foco de estudo.

Foto: Reprodução/USGS

Existe um acontecimento bem importante para a história, que afirma que, entre 720 a 635 milhões de anos atrás, vários quilômetros de rocha foram varridos por geleiras, deixando uma camada faltante. Isso ocorreu em um período chamado Snowball Earth, algo como Terra Bola de Neve na tradução literal, quando o planeta estava completamente coberto de gelo. Esse acontecimento, segundo os cientistas, ajuda a explicar o rápido aparecimento de organismos complexos, o que é chamado de Explosão Cambriana, uma vez que os oceanos receberam uma alta quantidade de nutrientes dos materiais erodidos.

Macdonald, no entanto, sentiu dúvidas em relação a este acontecimento. "Essas rochas foram enterradas e erodidas múltiplas vezes através de sua história", aponta o cientista, dizendo ainda que a Terra é um sistema complicado, principalmente quando se fala de tanto tempo atrás, sendo difícil desvendar se eventos globais são de fato os responsáveis.

A hipótese foi testada pela equipe de Macdonald com o uso de uma técnica chamada termocronologia, que consiste na datação radiométrica de rochas com as temperaturas de fechamento. Alguns quilômetros abaixo da superfície da Terra, a temperatura começa a aumentar quanto mais perto do manto mais quente do planeta, aumentando cerca de 50 graus Celsius a cada quilômetro de profundidade, sendo cada temperatura impressa nos minerais.

Reprodução: Flickr/Al_HikesAZ

Com a decomposição de elementos radioativos nas rochas é produzido o hélio-4, atividade que acontece frequentemente. Porém, a fração que é retida em diferentes minerais é uma ação da temperatura. Sendo assim, cientistas podem usar a proporção de hélio para urânio e tório em determinados minerais, como um paleotermômetro. Isso permitiu que os pesquisadores conseguissem rastrear como uma rocha se movia na crosta ao longo do tempo, enquanto eram enterradas e erodidas.

O pesquisador diz que essas inconformidades estão se formando repetidamente através de processos tecnônicos e que com isso, uma descoberta nova, é possível acessar uma história muito mais antiga. A equipe de pesquisadores coletou amostras de granito em Pikes Peak, no Colorado, onde foram localizadas as inconformidades, descobrindo que vários quilômetros de rochas foram erodidas logo abaixo deste granito, entre 1,000 a 720 milhões de anos atrás.

Esse período de tempo, portanto, veio muito antes do fenômeno da Terra Bola de Neve, alinhando-se aos períodos em que o supercontinente Rodinia se formava e se separava. "É um processo bagunçado. Existem diferenças e agora temos a habilidade de, talvez, resolvê-las e extrair esse registro.

O próximo passo dos pesquisadores é fazer os mesmos estudos em outras regiões do mundo. "A Explosão Cambriana era o dilema de Darwin. Esta é uma pergunta de 200 anos. Se conseguirmos resolver isso, nós definitivamente seríamos estrelas", completa Macdonald.

Fonte: UC Santa Barbara

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