Cientistas dizem ter criado a capa de invisibilidade perfeita

Por Redação | 21.09.2015 às 11:47

A ficção já nos apresentou várias tecnologias sobre invisibilidade. O Predador possuía a habilidade ao distorcer a luz para não ser visto pelas suas presas e Harry Potter usava magia para fazer com que seu manto fizesse qualquer coisa desaparecer. E, como a vida imita a arte, cientistas estão trabalhando em uma forma de unir esses dois conceitos e com todo o aval da ciência.

O conceito usado por pesquisadores é bem semelhante à capa de invisibilidade que aparece nos livros do bruxinho, mas o funcionamento parte do mesmo princípio que os filmes de ficção-científica mostraram. Para isso, eles desenvolveram uma espécie de manto ultrafino que cobre qualquer objeto com perfeição, espelhando qualquer luz que incida sobre ele.

Isso surge como solução para um dos principais desafios na hora de trabalhar com essa tecnologia. Em experimentos anteriores, por exemplo, cientistas conseguiram distorcer a luz em torno do objeto de maneira bem limitada, principalmente porque os materiais usados para a criação dessa capa eram pouco maleáveis e, por isso, a invisibilidade só funcionava a partir de ângulos bem específicos. Contudo, a nova criação faz com que todo esse processo seja perfeito.

Capa invisibilidade

Segundo os pesquisadores, essa nova versão é fina e flexível o bastante para envolver qualquer tipo de objeto sem que ele fique visível. E, mais do que isso, ela ainda pode ser ajustada de diferentes maneiras para criar efeitos variados. Exemplo disso é que ela pode tanto servir como um espelho e refletir o que está à sua frente como simular o que está atrás — criando o efeito de invisibilidade que a gente conhece. Ademais, ela ainda é capaz de criar ilusões, ou seja, fazendo com que algo simplesmente "surja" ali.

A versão atualizada e aperfeiçoada do manto de invisibilidade está sendo produzida pelo Laboratório Nacional de Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos, sob a supervisão de Xiang Zhang. Segundo ele, o que o grupo fez foi construir uma espécie de filme ultrafino com uma camada de 50 nanômetros de espessura de fluoreto de magnésio e várias pequenas antenas de ouro de apenas 30 nanômetros.

O cuidado para trazer dimensões tão diminutas não é por acaso. A ideia é fazer com que tudo seja menor do que o comprimento de onda de luz, o que vai permitir que o reflexo seja quase perfeito, gerando o efeito desejado. Assim, quando a luz — cuja onda tem cerca de 730 nanômetros — bate sobre a superfície da capa, pode ser refletida sem que gere distorções que revelem a existência de um objeto ali.

Capa da invisibilidade

Como os pesquisadores destacam, o conceito básico da iluminação ainda existe, ou seja, os raios luminosos vão bater e refletir ali. A diferença é que, por ser um espelho perfeito, o manto não vai absorver praticamente nada. Segundo os pesquisadores, as pequenas antenas de ouro controlam o quanto a luz se espalha na hora de refleti-la. Assim, elas fazem todas as correções necessárias para evitar qualquer variação que revele que há algo embaixo da capa, independente das irregularidades do próprio objeto.

Essas antenas ainda podem ser ajustadas de diferentes maneiras. É a partir delas que a capa pode recriar a imagem que se esconde atrás dela ou enganar os olhos humanos ao nos fazer crer que estamos vendo outra coisa. Em um dos exemplos citados por Xiang Zhang à Live Science, se existir um manto grande o suficiente para cobrir um tanque, é possível ajustá-lo para fazer com que todos achem que se trata apenas de uma bicicleta.

Isso quer dizer que essa é uma tecnologia que pode mudar completamente as guerras daqui para frente? Não necessariamente. Ao menos neste primeiro momento, a invisibilidade só funciona em objetos parados, uma vez que o movimento faz com que a emulação do cenário fique mais complicada e, portanto, problemática. Assim, por mais que eles queriam esconder um tanque, ele não vai poder se aproximar sem ser notado.

Por mais que tudo pareça bastante promissor, a novidade ainda divide a comunidade científica. Em entrevista à Live Science, o professor associado do departamento de engenharia elétrica da Universidade do Texas, Andrea Alù, afirma que esses resultados só foram obtidos porque o material de estudo era pequeno. Segundo ele, objetos maiores possuem variações de iluminação que poderiam trazer variações significativas no resultado e acabar com essa "ilusão do refletor perfeito".

Ainda assim, não há como ignorar o avanço que essa capa da invisibilidade trouxe às pesquisas sobre o assunto. Embora possa não ser tudo aquilo que se espera, ela serviu para mostrar como é possível manipular a luz de diferentes formas para gerar efeitos diferentes — e isso é algo que o próprio Alù concorda.

Se a ideia de esconder tanques pode ainda estar distante, Xiang Zhang traz outras sugestões de como aplicar essa tecnologia fora das guerras. Para o pesquisador, o conceito pode ser aplicado em telas para diminuir possíveis distorções. Ele cita que qualquer projeção de grande escala, como em um cinema, precisa de uma superfície relativamente plana e que o controle do reflexo da luz pode fazer com que a imagem seja projetada em qualquer forma sem trazer problemas em sua qualidade.

Tanto que Zhang diz que o próximo passo da pesquisa é criar formas de produzir esse material em escala industrial e ajustando essas antenas para diferentes comprimentos de onda.

Via: Science Magazine, Discovery News