Cientistas armazenam romance "O Mágico de Oz" em uma fita de DNA

Por Fidel Forato | 16 de Julho de 2020 às 13h50
Marvel Comics/DC Comics

Há algum tempo, cientistas investigam novas técnicas para armazenar um grande volume de informações dentro do DNA. Mais do que falar sobre as características de um ser vivo, como a cor dos olhos e o formato do nariz, agora, um grupo de pesquisadores codificou o romance O Maravilhoso Mágico de Oz, que anos depois deu origem ao icônico filme, em uma fita dupla de DNA.

No experimento, o grupo de cientistas da Universidade do Texas, em Austin, também ampliou a capacidade de armazenamento do DNA, enquanto codificava todo o romance norte-americano, de 1900, antes traduzido para a língua esperanto. Entre outras coisas, essa técnica se aproveita da capacidade de armazenamento de informações em cadeias entrelaçadas de DNA para codificar e recuperar informações de um jeito duradouro e compacto.

Pesquisadores codificam o romance inteiro do Mágico de Oz em uma fita dupla de DNA (Imagem: Reprodução/Pixabay)

Entenda o processo

Empresas de tecnologia como a Microsoft e o Google já exploram o armazenamento dados em fitas de DNA, afinal essa biomolécula criada tem a capacidade de armazenar um enorme volume de informações. Em comparação, o DNA é cerca de 5 milhões de vezes mais eficiente que os métodos atuais de armazenamento.

Em outras palavras, uma gota de DNA de um mililitro — um milésimo de litro — poderia armazenar a mesma quantidade de informação que os servidores de dados de dois armazéns do Walmart, por exemplo. Tudo com a vantagem do DNA não precisar de refrigeração permanente e nem de discos rígidos propensos a falhas mecânicas.

No entanto, o DNA pode ser facilmente danificado e, assim, apagar tudo o que estiver armazenado nele. "A principal inovação é um algoritmo de codificação que permite a recuperação precisa das informações, mesmo quando as fitas de DNA são, parcialmente, danificadas enquanto são armazenadas", explica a bióloga molecular Ilya Finkelstein da UT Austin, em nota para a imprensa.

Até então, quando alguma informação era armazenada no DNA, ela precisava ser salva, como um parágrafo de um romance, ou seja, por partes. Também era preciso que se repetisse de 10 a 15 vezes o conteúdo. Quando essa informação era lida, por exemplo, as repetições eram comparadas para se eliminar as inserções repetidas.

Nessa nova pesquisa, que ainda será publicada, esse método não é mais necessário. Isso porque cada pedaço de informação fortalece os outros ao seu redor, como uma verdadeira cadeia de informações. "Encontramos uma maneira de construir as informações mais como uma treliça", exemplifica Stephen Jones, pesquisador da UT Austin. “Cada informação reforça outras informações. Dessa forma, ele só precisa ser lido uma vez”, completa.

Para demonstrar a capacidade de se recuperar as informações contidas nessa fita de DNA, a equipe submeteu o código do Mágico de Oz a altas temperaturas e umidade extrema. Embora as estruturas do DNA tenham sido danificadas, todas as informações ainda foram decodificadas com sucesso.

Fonte: Futurism via UT Austin

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