Brasil apresenta melhora no impacto científico, mas segue abaixo da média

Por Nathan Vieira | 20 de Agosto de 2019 às 22h50
Pixabay

Em 2016, o Brasil atingiu sua melhor marca de impacto da pesquisa científica dentro de um período de 30 anos, com a pontuação de 0,92. Nesta segunda (20), o Ministério da Educação (MEC) divulgou que o país chegou pertinho da sua melhor marca, alcançando 0,89. Em relação à própria pontuação, o Brasil representa um avanço. No entanto, comparado com os outros países, ainda se encontra bem abaixo da expectativa, já que a média mundial é 1 ponto. Os dados são de uma base de dados administrada pela organização Clarivate Analytics chamada Web of Science.

A Web of Science é responsável por trazer informações em torno da relevância das pesquisas produzidas. Segundo o site da instituição, a plataforma “segue um rigoroso processo de avaliação, você pode ter certeza de que apenas as informações mais influentes, relevantes e credíveis serão incluídas, permitindo que você descubra a sua próxima grande ideia mais rapidamente”.

Ao longo de 30 anos, nosso país não chegou a atingir a média mundial. No entanto, tudo aponta que o Brasil está avançando a passos delicados. Aumentar o nível de impacto científico é, inclusive, uma das maiores metas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao MEC. Essa é uma das razões por trás de iniciativas do MEC como o Future-se, programa destinado a aumentar a autonomia financeira de universidades e institutos.

O MEC aponta que o país atingiu o resultado atual em um momento em que se faz necessário contingenciar recursos das mais diversas pastas do governo federal, e que a gestão tem sido feita de forma a priorizar partes do orçamento e o que de fato funciona. “A expectativa é que o índice aumente, pois temos políticas voltadas para o que de fato tem impacto científico”, afirma o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Por sua vez, o presidente da Capes, Anderson Correia, observa: “O resultado indica que as políticas implementadas pela Capes no sentido de promover melhorias na avaliação e na racionalização do financiamento estão surtindo resultado”.

Contudo, é preciso lembrar que o Brasil está à beira de sofrer um dos maiores golpes já dados contra a ciência em nosso pais, pois mais de 80 mil bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) estão em vias de serem suspensas por falta de verbas. O órgão anunciou na semana passada que, a partir de setembro, não terá mais dinheiro para pagar os bolsistas, e a medida ocorre por conta da recusa do governo brasileiro de liberar os R$ 330 milhões que foram congelados em março pelo orçamento geral. Então, basicamente, o dinheiro do CNPq acabou e, caso a verba não seja mesmo liberada nas próximas semanas, o órgão poderá manter a agenda de pagamentos dos pesquisadores até o fim do ano, apenas. Até o momento, não há movimentação alguma indicando que essa liberação da verba congelada vá acontecer.

Fonte: MEC via Agência Brasil

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