Armadura de 3 mil anos prova que transferência de tecnologia é mesmo das antigas

Armadura de 3 mil anos prova que transferência de tecnologia é mesmo das antigas

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 10 de Dezembro de 2021 às 18h30
D.L. Xu, P. Wertmann, M. Yibulayinmu

A descoberta de uma peça de armadura de quase 3 mil anos atrás, na China, traz novos detalhes sobre as tecnologias usadas por nossos antepassados. O objeto foi encontrado no cemitério de Yanghai, localizado no noroeste do país, e pode ter sido fabricado durante o Império Neo-Assírio, que aconteceu onde hoje é o Egito, Irã, Iraque e Turquia.

Patrick Wertmann, principal autor do estudo, conta que a descoberta é uma das raras evidências que temos sobre a difusão da tecnologia por todo o continente eurasiano durante o primeiro milênio Antes da Era Comum (AEC), mostrando que ela é mais antiga do que imaginávamos.

A descoberta mostra que a tecnologia se difundiu pelo continente eurasiano (Imagem: Reprodução/D.L. Xu, P. Wertmann, M. Yibulayinmu)

A armadura foi datada entre 786 a 543 AEC, e foi encontrada em 2013 dentro da tumba de um soldado que tinha cerca de 30 anos quando morreu. O objeto é conhecido como "armadura de escamas" e preenchia quase todo o corpo, sendo fabricado com 5.500 escamas de couro individuais dispostas horizontalmente. Os pesquisadores contam que esta tecnologia ainda é vista em alguns coletes à prova de balas, e que encontrar uma armadura do tipo na China é bastante incomum.

Somente duas armaduras já foram encontradas

Antes de 2013, nenhuma outra armadura, de qualquer material, foi encontrada em qualquer uma das outras 520 tumbas escavadas do cemitério de Yanghai. Também é muito raro que uma armadura resista a tanto tempo, inclusive somente uma armadura de escamas de couro é conhecida hoje, mas é muito frágil para que seja estudada por completo. A armadura de Yanghai só não apodreceu devido ao clima árido da região.

Os pesquisadores dizem que, mesmo sendo encontradas em lugares diferentes, ambas as armaduras podem ter sido projetadas para diferentes unidades do mesmo exército, uma vez que contam com aparências semelhantes.

Fonte: IFL Science, ScienceDirect  

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