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10 animais que usam drogas na natureza — de álcool a ayahuasca

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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twenty20photos/Envato
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O ser humano não é a única criatura do reino animal a usar psicotrópicos para alterar suas percepções — aliás, pesquisas apontam que nossa predileção pelo álcool vem de ancestrais símios, que espalharam esse gosto a outros macacos. Há muitas outras espécies que gostam de capotar o Corsa de vez em quando, seja com álcool, seja com alucinógenos ou outros estimulantes.

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Aqui, vamos apresentar uma lista de 10 animais que curtem usar drogas, para tirar um pouco essa percepção de exclusividade do ser humano no mundo ébrio e, é claro, matar um pouco dessa curiosidade sobre o reino animal.

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Macacos também bebem

O primeiro exemplar da nossa lista é o macaco vervet (Chlorocebus pygerythtus), que se aproveita da droga mais fácil de se encontrar na natureza: o álcool, produzido a partir do açúcar presente nas frutas e algumas outras plantas. Nesse caso, o macaco invade plantações de cana-de-açúcar, procurando por pés mais velhos e fermentados, enchendo a cara com o líquido.

O curioso é que estudos mostraram que 4 em cada 5 espécimes do bicho preferem beber um copo de cachaça a um de água, sendo os mais novos os que mais gostam de álcool. A má influência, aparentemente, somos nós — que levamos a espécie à ilha de São Cristóvão (do país São Cristóvão e Neves), no Caribe, há 300 anos, onde os macaquinhos conheceram e curtiram a água que passarinho não bebe.

Larvas do pó

Outra droga no rol da curtição dos bichos é a cocaína. Mas não é, na verdade, na forma refinada em pó que conhecemos, mas sim a forma bruta, concentrada e estimulante da própria folha da coca, Erythroxylum coca. O apreciador da vez é a larva da mariposa Eloria oyesi, que se alimenta exclusivamente da planta. O gosto é tamanho que alguns biólogos lutam pela conservação das plantações ilegais apenas para ajudar na preservação dos insetos.

Ratatouille da cachaça

Já o Ptilocercus lowii, um mamífero conhecido como musaranho, é um pequeno bichinho de 10 cm da Tailândia e partes da Ásia que entorna valendo todas as noites: no caso, o néctar fermentado de uma palmeira, que equivale, para nós humanos a 10 ou até 12 taças de vinho. A diferença é que o musaranho não fica bêbado, já que transforma a maior parte do álcool em um composto que ajuda seus pelos a crescerem.

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Gatos da erva

Essa é talvez a mais conhecida da lista: a erva de gato ou catnip (Nepeta cataria) é uma planta que deixa os gatos muito loucos — tão loucos, na verdade, que os cientistas afirmam ter o mesmo efeito nos felinos que o LSD tem nos humanos, funcionando como alucinógeno, dando sensações de relaxamento e prazer.

A erva simula feromônios, hormônios ligados ao sexo, e é por isso que a maioria dos gatos não resiste ao seu cheiro, se esfregando na substância e ficando hiperativo, se for um animal geralmente calmo. Já os agitados, podem se acalmar com o catnip. Alguns bichanos, no entanto, herdam uma imunidade dos seus ancestrais: cerca de 30% deles não dá bola para a erva de gato.

Wallabies, os cangurus do ópio

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O maior produtor de ópio legalizado do mundo é a Austrália — e é claro que algum animal iria se aproveitar das plantações. Esse animal é o wallaby, uma espécie parente do canguru, só que menor, que se sente bem ao ingerir a substância. Bem talvez seja um eufemismo: eles ficam doidões, se unem em bandos e pulam em círculos nas plantações. O problema é tamanho que já chegou até ao parlamento do país.

Onças anti-Proerd

Um felino maior do que os gatos — as onças-pintadas — também tem a sua droga de estimação. Nesse caso, a Ayahuasca (Banisteriopsis), planta utilizada na mistura do chá em questão, é ingerida pelos bichos. A única dúvida é se eles o fazem para vomitar quando não estão bem, como os gatos fazem com a grama, para aguçar os sentidos na hora de caçar ou só para ficar alterados, mesmo.

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Abelhas pinguças

As abelhas, na verdade, gostam de tudo que contenha álcool, seja néctar fermentado ou etanol puro, conseguindo beber até o equivalente a 10 copos de vinho dada a oportunidade. O bichinho, nessas condições, fica bem irritado, e, caso volte para a colmeia nesse estado, é expulso do local até ficar sóbrio. Qualquer semelhança com festas de família é mera coincidência, mesmo porque há uma grande diferença: caso isso se repita muitas vezes, as outras abelhas arrancam os membros da bebum como castigo.

Carneiros doidões

A América do Norte, especialmente as Montanhas Rochosas, abrigam carneiros selvagens (Ovis canadensis), onde cresce um líquen especialmente alucinógeno, com efeitos poderosos para os bichos. A questão é que ele é raro, mas os carneiros gostam tanto dele que acabam subindo em locais perigosos só para ter acesso à substância.

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Cavalos viajantes

Quando cavalos comem uma planta da família Fabaceae, conhecida como crazy weed (erva louca), em inglês, o efeito é esse que você está pensando mesmo: a visão embaralha, a coordenação é afetada e os bichos ficam bem relaxados, praticamente como o álcool faz com os humanos.

O problema é que quaisquer estímulos, como o voo de uma borboleta, pode afetar o cavalo a ponto dele ficar agitado demais, ter uma espécie de bad trip. Os animais, na verdade, geralmente ingerem a planta sem querer, quando o inverno cobre os pastos, mas deixa as Fabaceae à mostra. Alguns estudos apontam que o uso excessivo da substância pode causar depressão e muita perda de peso nos cavalos.

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Passa a centopeia?

Não é só de planta e álcool que vive o animal. Para alguns bichos, outras espécies é que trazem o efeito psicotrópico. Os macacos-prego (sapajus), por exemplo, se lambuzam na gosma protetora tóxica de uma espécie de centopeia, que, inicialmente, tem o efeito de proteger os macacos de parasitas e insetos.

Só que, quando usam a substância, os bichos entram em um tipo de transe, uma viagem de lagarta. O mais curioso é que, quando estão "usando" o animal, os macacos o passam de um indivíduo para outro, como um ritual social.