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Saiba qual é a "arma secreta" do Brasil contra a crise do petróleo no Irã

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José Cruz/Agência Brasil
José Cruz/Agência Brasil

O etanol se tornou um verdadeiro escudo econômico para o Brasil em meio à disparada global dos preços do petróleo como resultado dos conflitos no Irã. Enquanto os Estados Unidos registraram um salto de 30% no preço da gasolina em março de 2026, o mercado brasileiro conteve a alta em apenas 5%. Esse modelo de segurança energética já desperta o interesse de países como Índia e México, que buscam reduzir a dependência de refinados estrangeiros.

Essa estabilidade é fruto de uma frota flex única no mundo combinada à safra recorde de cana-de-açúcar prevista para abril, que deve injetar 30 bilhões de litros do biocombustível na economia. O total que representa 4 bilhões a mais em comparação com 2025. 

Como a infraestrutura nacional está consolidada desde a década de 1970, o país tem menor dependência do petróleo estrangeiro, o que permite que milhões de motoristas migrem para o combustível renovável sempre que o cenário geopolítico encarece o preço do barril. 

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O desafio do diesel

Apesar do sucesso com o biocombustível, o Brasil enfrenta um cenário crítico no setor de transportes de carga. Ao contrário do etanol, o diesel brasileiro possui apenas 14% de mistura de biodiesel, o que deixa o país vulnerável às cotações internacionais. Como resultado, o preço do diesel nas bombas subiu mais de 20% em março, forçando o governo a discutir subsídios para as importações que vêm principalmente da Rússia.

Por outro lado, a porcentagem do biodiesel pode mudar para 30% até 2030 conforme as pesquisas e avanços tecnológicos avançarem. Atualmente, o Centro de Desenvolvimento Científico do Etanol, da Unicamp, em Camipnas (SP), segue impulsionando os estudos na área por meio de pesquisas financiadas pelo Estado.

A Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis observa que a gasolina refinada pela Petrobras chega a ser 46% mais barata que a importada, graças à integração com o setor sucroenergético. Mesmo assim, os preços do diesel seguem representando um desafio para o governo, que ainda precisa importar até 30% do combustível mensalmente.

Fonte: G1