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Por que pegar a estrada com carro fabricado até 2014 é perigoso?

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Michael Jim/Unsplash/CC
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Checar os itens de segurança de um carro antes de viajar é obrigação de todo bom motorista para assegurar que tudo corra bem, independentemente do ano e do modelo do veículo. Um estudo recente mostrou, porém, que os cuidados precisam ser ainda maiores em carros fabricados até 2014 no Brasil.

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De acordo com dados encomendados pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ao especialista Paulo César Pêgas Ferreira, do Instituto Zero Morte, o risco de acidentes graves e fatais é três vezes maior quando o motorista pega a estrada em carros fabricados até 2014.

Os dados apontam que, entre 2021 e 2022, ocorreram cerca de 59,86 mortes para cada 10 mil carros fabricados em 2009. O número de fatalidades começou a cair justamente com carros fabricados a partir de 2014, primeiro para 38,18 a cada 10 mil e, em 2022, alcançando média de 15,94.

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Os motivos para a queda vertiginosa no número de acidentes fatais são bastante simples, mas têm uma causa primordial: a introdução de novas tecnologias voltadas para a segurança.

ABS, airbags e ADAS salvam vidas

Obrigatórios em todos os carros 0km à venda no Brasil desde 2014, acessórios como freios ABS e airbags foram apontados pelos especialistas do Instituto Zero Morte como fundamentais para a redução das fatalidades em acidentes de trânsito nas estradas.

A inserção de recursos do sistema ADAS para assistência à condução, como frenagem automática de emergência e alerta de ponto cego, agora presentes até mesmo em alguns modelos mais acessíveis, também contribuiu para a queda no número de mortes, como mostrou a pesquisa encomendada pelo IPEAl

Há, porém, uma preocupação: a falta de inspeções periódicas nos sistemas. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, 6% dos acidentes nas estradas com carros mais antigos são causados por falhas mecânicas, já que não há uma fiscalização mais rigorosa sobre a frota que roda no país.

A solução para isso, segundo Paulo César Pêgas Ferreira, seria a volta da inspeção veicular obrigatória, que consta no Código de Trânsito, mas nunca foi realizada da forma correta e, por isso, acabou “engavetada”.

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Mortes no trânsito custam bilhões ao país

Modernizar a frota de carros, implementar fiscalizações mais rigorosas e, assim, reduzir ainda mais o número de mortes em acidentes de trânsito nas estradas seria importante não apenas para preservar vidas, mas também economizar milhões de reais.

A estimativa apresentada pelo Instituto Zero Morte ao IPEA é que as 38 mil mortes anuais no trânsito brasileiro custem R$ 150 bilhões em recursos, que englobam despesas hospitalares, previdenciárias e perda de capacidade produtiva da população.

As vítimas de acidentes ocupam cerca de 60% das UTIs em hospitais do SUS, Sistema Único de Saúde, e isso gera um efeito-cascata que impede um atendimento melhor a outros tipos de emergência no país.