O que é um carro "pé de boi"?
Por Paulo Amaral |

Uma das expressões mais antigas e, por muitas vezes criticada, do mercado automotivo é aquela que se refere a um determinado tipo de carro como "pé de boi". O termo, ao contrário do que muitos pensam, não foi criado para ser ofensivo, e é isso que o CT Auto vai explicar agora.
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A expressão “carro pé de boi” costuma definir modelos com acabamento simples e poucos acessórios. O termo nasceu da ideia de algo rústico, resistente e funcional. Significa, basicamente, que trata-se de um carro pronto para tudo e voltado ao essencial: transportar pessoas, e fazer isso custando pouco.
Historicamente, carros “pé de boi” eram versões de entrada oferecidas pelas montadoras para reduzir preço e ampliar o acesso da população ao carro zero-quilômetro. Esse tipo de carro era vendido pelas marcas sem itens considerados supérfluos à época, como rádio, ar-condicionado, direção hidráulica ou vidros elétricos. Em alguns casos, nem mesmo calotas ou pintura metálica estavam incluídas.
Qual a proposta dos carros "pé de boi"?
Embora tenha nascido nas décadas de 1960 e 1970, foi nos anos 1990 e 2000, durante a fase dos chamados carros populares no Brasil, que o conceito ganhou força. Modelos 1.0 básicos dominaram as ruas com foco em economia de combustível e manutenção barata. A proposta dos carros "pé de boi" era clara: oferecer mobilidade acessível em um mercado ainda marcado por crédito restrito e renda média mais baixa.
O perfil do consumidor também ajudou a consolidar a expressão. Muitos buscavam o primeiro carro zero, um veículo para trabalho ou uso urbano diário, sem preocupação com conforto adicional. Para esse público, menos equipamentos significava preço menor e menos custos futuros com manutenção.
Com o passar do tempo, porém, a legislação e as exigências de segurança mudaram o cenário. Itens como airbags, freios ABS e controle de estabilidade tornaram-se obrigatórios. Assim, o “pé de boi” moderno já não pode ser tão espartano quanto no passado, mesmo nas versões mais básicas.
No fim das contas, chamar um carro de “pé de boi” não é necessariamente uma crítica. Para muitos motoristas, é sinônimo de robustez, economia e foco no que realmente importa: cumprir bem a função de ir do ponto A ao ponto B.
Esse conceito, acreditem, também pode ser estendido a alguns carros 0km. Volkswagen, Fiat, Citroën e Renault tem em seus portfólios modelos que, guardadas as devidas proporções, hoje são comparáveis aos "pé de boi".
Quais carros atuais podem ser chamados de "pé de boi"?
Em tempos de eletrificação e carros conectados, a ideia de simplicidade continua atraente para parte do consumidor. Preço competitivo, mecânica confiável e manutenção acessível seguem sendo atributos valorizados, mesmo quando acompanhados de equipamentos que antes eram considerados luxo.
Por isso, hoje, o termo "pé de boi" é usado mais de forma coloquial do que técnica. Ele pode indicar tanto uma configuração simples dentro de uma linha quanto um carro voltado ao custo-benefício.
E quais carros vendidos no Brasil atualmente podem ser considerados "pé de boi"? Utilizando o conceito original do termo e trazendo para 2026, alguns modelos podem se encaixar na relação. São eles:
- Renault Kwid (Zen)
- Volkswagen Polo Track
- Fiat Mobi (Like)
- Citroën C3 (Live)
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