Marcas chinesas vão ter que reforçar segurança dos carros após "susto" do governo
Por Danielle Cassita |
:quality(85)/6ae053a4-60bb-4d7a-bd68-3b4c1f3bae9e.jpeg)
Você acha que a China lança novos carros em um ritmo absurdo? Pois é, o governo do país também, tanto que intensificou a fiscalização sobre as montadoras automotivas com uma campanha nacional para reforçar as exigências de qualidade e segurança dos veículos fabricados por lá.
A medida veio como um esforço para conter os riscos decorrentes de lançamentos apressados. Assim, os órgãos reguladores passaram a preparar o dobro do percurso mínimo exigido nos testes de durabilidade de elétricos e híbridos, elevando o limite de 15 mil para 30 mil quilômetros.
Além destas novas diretrizes, o país também proibiu as maçanetas eletrônicas retráteis e volantes em formato de manche para os carros novos a partir de 2027. Ainda, o país endureceu as regras sobre tecnologias de condução assistida após um recall de mais de 4 milhões de carros elétricos devido a falhas na abertura das portas do veículo em caso de emergência.
Novas regras na China
A medida surge em resposta ao encurtamento acelerado no desenvolvimento de novos modelos pelas fabricantes locais, que reduziram o tempo de projeto de cinco anos para apenas 18 meses, ou seja, 1 ano e meio. Agora, o aperto veio após executivos de grandes marcas admitirem que prazos tão apertados vêm comprometendo a segurança dos motoristas e demais passageiros.
Só que as empresas reconhecem que, por outro lado, desacelerar não é nada fácil — tanto que Li Shufu, presidente da Geely, declarou à estatal chinesa que não se pode simplesmente pedir às marcas que reduzam o ritmo em um cenário em que todas estão disputando a liderança.
De qualquer forma, a mudança de postura atinge diretamente fabricantes com forte operação no Brasil, como BYD, GWM e Chery, que trabalham com essas plataformas globais. Embora montadoras ocidentais também tentem acelerar a produção — e, para isso, apostam em tecnologias como a inteligência artificial —, as novas regras chinesas são claras: a velocidade de desenvolvimento não pode ser maior que os padrões fundamentais de segurança viária.