Marcas chinesas agora focam em carros a combustão. O que mudou?
Por Danielle Cassita |

Parece que as fabricantes chinesas repensaram a estratégia no Brasil. Neste início de 2026, marcas como GWM, GAC e Caoa Changan decidiram avançar sobre o mercado de carros a combustão para ampliar sua participação nacional e já oferecem SUVs e picapes movidos a gasolina e diesel para disputar os 80% de consumidores que ainda não migraram para os elétricos.
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A guinada estratégica responde a um cenário onde os eletrificados, embora em crescimento, ainda representam apenas 15% das vendas totais. As montadoras perceberam que os carros a combustão ainda ocupam a maior parte do mercado brasileiro e, para brigar por essa parcela, querem apostar no volume de vendas que antes era dominado por marcas veteranas.
Para especialistas, os chineses usaram a tecnologia elétrica como vitrine para construir reputação no mercado, e agora podem aproveitar o excedente de produção na China para inundar o mercado brasileiro com modelos convencionais bem equipados e preços competitivos.
Carros chineses no Brasil
Vale lembrar ainda que o movimento ocorre em um momento de pressão tributária, uma vez que os carros a combustão da China têm imposto de importação pleno, que chega a 35% e, aliás, é semelhante à alíquota cobrada pelos elétricos. Portanto, como não há benefício direto para o envio desses carros ao Brasil, a saída é escoar a produção.
"Eles trazem como uma forma de aumentar sua penetração. Há produtos de baixíssimo custo lá na China e podem vir aqui para o Brasil com esses veículos. Podem carregar mais nos equipamentos. Não é o normal, se você pegar os veículos das versões mais baixas, eles não são assim tão bem equipados”, observou Cássio Pagliarini, da Bright Consulting.
Além da questão financeira, o avanço simboliza a maturidade da indústria chinesa. Ao trazer motores turbo e diesel de alta eficiência, empresas como a GAC e a GWM tentam provar que sua evolução tecnológica vai além das baterias. O objetivo é atingir segmentos como o público de entrada, que ainda tem dificuldades com a infraestrutura de carregamento.
Fonte: Uol