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Gasolina com 35% de etanol: veja os impactos para carros não flex

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Kasio Peja/Envato/CC
Kasio Peja/Envato/CC

O governo brasileiro avalia aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 35%, criando a chamada gasolina E35. A proposta faz parte da Lei do Combustível do Futuro e busca ampliar o uso de fontes renováveis, reduzir emissões e fortalecer a indústria sucroenergética.

Atualmente, a gasolina vendida no Brasil já possui 30% de etanol, o que a torna uma das mais limpas do mundo em termos de emissões. O aumento para 35% reforçaria a posição do país como líder na transição energética, além de gerar impactos econômicos positivos para o setor de biocombustíveis.

Para avaliar os efeitos da nova mistura, o Ministério de Minas e Energia coordena uma rede nacional de pesquisas. Os testes vão analisar a durabilidade dos motores, consumo, desempenho e compatibilidade com diferentes tipos de veículos. A decisão final dependerá dos resultados técnicos, previstos para os próximos anos.

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Como a gasolina com 35% de etanol afeta os carros?

A principal preocupação está nos veículos que não são flex. Esses modelos foram projetados para operar com gasolina mais “limpa” possível, e a elevação para 35% pode gerar riscos de funcionamento irregular. Entre os possíveis efeitos estão falhas na combustão, perda de desempenho e maior desgaste de componentes internos.

Recentemente, quando o assunto foi ventilado pela primeira vez, a reportagem do CT Auto entrou em contato com Fernando Batista, o Batistinha, piloto, preparador de motores e proprietário da BTS Performance. E o alerta dado pelo especialista sobre o aumento da porcentagem de etanol na mistura da gasolina foi alarmante.

“A gasolina com 27% já era ruim. Com 35%, o que era ruim vai ficar pior. O problema dessa quantidade de álcool (etanol) é que carro que fica parado muito tempo vai criando aquela borra, aquela gelatina nos carburadores, e entope tudo. Ele vai entupir um pouquinho antes porque terá mais álcool”, explicou.

Segundo Batistinha, os primeiros carros equipados com injeção eletrônica sofrerão mais, pois o sistema “não era tão inteligente e não vai conseguir corrigir essa diferença”, mas os novos não estarão imunes aos problemas causados pelo aumento do etanol na gasolina.

“Nos carros mais modernos, a injeção é inteligente e acaba corrigindo essa diferença, mas, mesmo quando acerta essa parte na injeção, com essa quantidade de álcool qualquer carro vai consumir um pouco mais”, concluiu.