Direção autônoma tornará apps mais baratos do que possuir um carro

Por Felipe Demartini | 03 de Maio de 2018 às 12h47
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Há muito tempo se fala sobre como usar aplicativos de transporte se tornou mais conveniente e barato do que possuir um veículo próprio. A empresa de inteligência de marcado Quote Wizard, entretanto, decidiu quantificar isso em números e cravou 2027 como o ano em que, efetivamente, utilizar somente soluções de tecnologia valerá mais a pena do que ter um carro na garagem.

De acordo com as análises da companhia, há uma redução constante nos preços das corridas, principalmente por conta da concorrência entre as soluções do setor. Enquanto isso, os custos de se manter um carro próprio, envolvendo impostos, gasolina, manutenção, depreciação e estacionamento, apenas para citar alguns, vêm se mantendo inalterados desde 2015. Em algum momento, então, essa balança deve se inverter, e isso deve acontecer daqui a nove anos.

Um dos grandes motores para esse movimento é a tecnologia de direção autônoma, que reduzirá os custos de operação até mesmo para as empresas do setor. Elas, então, passariam a ser as responsáveis por todos os custos envolvidos na operação de um carro, enquanto também ficariam com todos os ganhos oriundos das viagens para si, não dependendo mais de motoristas e parceiros para sua operação central.

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Agora, aos números, com a Quote Wizard levando em conta dados dos Estados Unidos, mais especificamente das cidades de Seattle e Denver, como parâmetros para chegar a essa conclusão, utilizando preços médios de viagens nas cidades, impostos e valores relacionados à direção. Na visão da empresa, os custos envolvidos na posse de um veículo sedan em 2027 serão de US$ 7.598, enquanto a utilização de um aplicativo de transportes na mesma medida que um carro próprio resultará em gastos de pouco mais de US$ 7.000.

Com essa análise, a companhia também prevê algumas mudanças no modelo de negócios das companhias de transporte, como uma queda de mais de 50% nos valores das corridas, resultado da mudança para direção autônoma, bem como o fim de taxas gerais e preocupações regulatórias relacionadas à presença de motoristas parceiros ao volante.

Por outro lado, a Quote Wizard reconhece que sua análise é meramente territorial e limitada. Sua visão de futuro se aplica especificamente a grandes áreas urbanas dos Estados Unidos e, com um grande talvez, da Europa, países desenvolvidos onde há amplo alcance dos serviços de transporte e poucas vagas de estacionamento, além de grandes engarrafamentos e populações com números bastante significativos.

Quem mora no Brasil, por exemplo, sabe que os custos avaliados – R$ 27 mil, aproximadamente, em uma conversão direta – não chegam nem perto do valor real da manutenção de um carro anualmente. Além disso, em cidades de interior ou regiões mais isoladas, onde apps de transporte não estão disponíveis ou têm funcionamento limitado, ter um carro ainda é, de longe, a melhor opção para ir e vir sem (muita) dor de cabeça.

Além disso, a empresa de análises desconsidera situações de mercado como um possível domínio de um serviço em determinado território, que impediria uma redução nos preços mesmo com a chegada da direção autônoma. O lobby da indústria automotiva, bem como a demora na aprovação de regulamentações para veículos que se dirigem sozinhos, também são obstáculos.

A Quote Wizard, entretanto, é taxativa: se não for em 2027, essa virada vai acontecer em algum momento, com mudanças fundamentais na forma como as pessoas rodam pelas cidades acontecendo em um futuro nada distante. Para a empresa, a alegação dos futuristas de que as crianças nascidas hoje não precisarão aprender a dirigir, citada ao final do estudo, parece bem real.

Fonte: Quote Wizard

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