Como a guerra no Irã pode deixar sua próxima viagem de avião mais cara
Por Danielle Cassita |

Celso Ferrer, CEO da Gol Linhas Aéreas, declarou que o setor aéreo brasileiro tem a resiliência necessária para encarar as oscilações no preço do petróleo causadas pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. O executivo destacou também que as companhias têm mecanismos para absorver parte da pressão financeira, mas admitiu: parte dos custos deve, sim, ser repassada às passagens.
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O cenário de alerta se desenhou após a Petrobras aplicar um reajuste de 9,4% no querosene de aviação (QAV) no início de março. Segundo Ferrer, as companhias operam com uma margem de tolerância para choques temporários, mas a volatilidade do mercado energético é um fator permanente na estrutura de despesas.
Apesar da situação atual, a Gol reforça que o planejamento estratégico de longo prazo não será alterado — Ferrer reiterou que a expansão internacional da companhia por meio do novo hub intercontinental no Rio de Janeiro seguem como prioridades.
Custo Brasil e média global
A alta atual está diretamente ligada à valorização do barril de petróleo no mercado internacional, influenciada pela instabilidade nas relações entre Estados Unidos e Irã, mas a pressão sobre as empresas nacionais é acentuada por características locais. Segundo um estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) publicado no ano passado, o combustível representa 36% dos custos operacionais no Brasil.
Por outro lado, a média global é de 31%. Essa diferença se deve, em partes, à dependência da taxa de câmbio, gargalos logísticos e a estrutura concentrada da indústria de refino no país, que encarece o insumo básico da aviação.
Fonte: Reuters