Combustível adulterado: estudo mostra números alarmantes no Brasil
Por Paulo Amaral |

Abastecer seu carro ou sua moto com combustível de qualidade está cada dia mais difícil no Brasil. Apesar dos altos preços cobrados pela gasolina e seus derivados, a quantidade de combustível adulterado que é vendida nos postos atingiu números alarmantes.
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Um levantamento realizado pelo Instituto Combustível Legal (ICL) ao longo de 2025 revelou que quase um terço dos combustíveis vendidos no país apresenta algum tipo de irregularidade, expondo motoristas a riscos mecânicos e financeiros. O estudo, divulgado pelos amigos do Autoesporte, aponta fraudes que vão desde bombas manipuladas até misturas perigosas com metanol, composto químico que faz muito mal à saúde.
De acordo com os dados compilados pelo ICL, 28% das amostras de gasolina, etanol e diesel coletadas em 14 estados brasileiros em 2025 estavam fora dos padrões exigidos. Ao todo, foram analisadas 3.210 amostras, das quais 888 apresentaram irregularidades.
O índice de quase um terço de fraudes em combustíveis registrado no último ano é considerado alarmante e, por isso, evidencia a necessidade de maior fiscalização nos postos de combustível.
Quais as fraudes mais comuns com combustíveis?
O levantamento do órgão apontou também quais são os golpes mais comuns praticados por postos que vendem combustível adulterado. Entre as práticas mais comuns está a chamada fraude volumétrica.
Nesse esquema, os números exibidos na bomba não correspondem à quantidade real de combustível que entra no tanque. Segundo o estudo, mais da metade dos casos desse tipo foram registrados no Paraná, evidenciando a gravidade da prática.
Além disso, foram identificados outros problemas igualmente graves, que contribuíram para o índice alarmante ao final de 2025:
- Baixa qualidade da gasolina e do etanol
- Excesso de etanol na gasolina — acima do limite legal de 30%
- Baixo teor de biodiesel no diesel.
De acordo com a análise do ICL, essas adulterações não apenas prejudicam o desempenho dos veículos, mas também têm impacto negativo direto no meio ambiente e na saúde pública.
Metanol é “inimigo invisível” nas fraudes
A investigação em cima dos postos de combustível ganhou força após a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que revelou o envolvimento de facções criminosas na adulteração e distribuição de combustíveis.
O esquema incluía até a aquisição de usinas e distribuidoras para facilitar a manipulação dos produtos. Em alguns casos, foram encontrados combustíveis com 95% de metanol e apenas 5% de gasolina, uma mistura altamente tóxica e corrosiva.
O metanol, além de danoso para motores, representa risco grave para quem manuseia o produto. Há registros de intoxicações e até mortes relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas com essa substância, mostrando que o problema ultrapassa o setor automotivo.
Municípios com mais risco de fraude
O estudo do ICL mapeou também quais as regiões com maior incidência de fraudes em postos de combustíveis. Municípios como São Paulo, Campinas, Osasco, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Curitiba e Goiânia aparecem entre os locais mais críticos. Nessas áreas, motoristas devem redobrar a atenção ao abastecer.
No caso específico da qualidade da gasolina e do etanol, cidades como Belo Horizonte, Salvador e Guarulhos também figuram entre as mais afetadas. Já em relação ao diesel, irregularidades foram registradas em municípios como Santos, Londrina, Florianópolis e Cuiabá.
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