Carros conectados: afinal, quem recebe os dados rastreados?
Por Paulo Amaral |
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Os carros atuais estão cada vez mais conectados e, com isso,ligados aos aplicativos e aos serviços digitais. Essa conectividade facilita a vida do motorista, mas também cria uma questão que nem sempre aparece na hora da compra: o que acontece com as informações geradas pelo veículo enquanto ele circula pelas ruas ou fica estacionado?
Parte desses registros é necessária para oferecer funções como assistência em emergências, diagnóstico remoto e controle de recursos pelo celular. O problema está em entender quais informações são coletadas, por quanto tempo ficam armazenadas e se podem ser utilizadas para finalidades que vão além do funcionamento do automóvel.
Uma apuração publicada pelo UOL Carros consultou as dez montadoras líderes de vendas no Brasil e analisou políticas de privacidade e termos de serviços conectados. As respostas mostraram diferenças na transparência das fabricantes e nas condições de tratamento dos dados. GWM, Hyundai e Renault responderam detalhadamente às perguntas, enquanto outras marcas apresentaram informações mais genéricas ou não responderam.
Quais informações o carro conectado consegue registrar?
A lista vai além da localização por GPS. Dependendo do modelo e do serviço contratado, os sistemas podem registrar quilometragem, velocidade média e máxima, nível de combustível ou bateria, pressão dos pneus, estado das portas e alertas de manutenção. Também existem dados relacionados à forma de condução, como acelerações, frenagens e horários de uso. Na prática, essas informações ajudam a identificar falhas e oferecer funções remotas, mas também permitem traçar um retrato detalhado da rotina do motorista.
As políticas das fabricantes mostram diferenças importantes na coleta e no armazenamento. A GWM informou que registra a posição do GPS a cada poucos segundos enquanto o veículo está ligado e mantém esses dados por 20 dias. A Renault prevê períodos de armazenamento de até cinco anos para determinadas informações, enquanto a Hyundai informou que dados de geolocalização usados pelo Bluelink permanecem arquivados por pelo menos seis meses após a desativação do serviço.
Para quem os dados podem ser enviados e como proteger a privacidade?
O compartilhamento pode envolver concessionárias, prestadores de assistência, seguradoras e outras empresas, conforme o serviço e a finalidade. Em caso de roubo, por exemplo, a localização pode ajudar a recuperar o automóvel. Informações de diagnóstico podem permitir que uma oficina identifique um defeito antes da chegada do veículo.
No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece princípios como finalidade, necessidade, transparência e segurança no tratamento de informações pessoais. O motorista pode consultar as políticas de privacidade, verificar as permissões dos aplicativos e procurar as opções de gerenciamento da conectividade. Em alguns modelos, é possível desativar serviços pela central multimídia ou desvincular o veículo da conta, mas isso pode impedir o funcionamento de recursos conectados.
O destino dos dados, aliás, não é a única preocupação relacionada aos carros conectados. A invasão por hackers, como aconteceu recentemente com uma BYD Shark, expôs a fragilidade de alguns sistemas. Relembre o caso.