Quer trabalhar na XP? A empresa "investe na base" ao buscar profissionais de TI

Quer trabalhar na XP? A empresa "investe na base" ao buscar profissionais de TI

Por Rui Maciel | 05 de Agosto de 2021 às 10h20
Divulgação

Existe um antigo ditado que diz que "santo de casa não faz milagre". Essa sabedoria popular pode até funcionar em alguns casos, mas, definitivamente, não é o caso do mercado de tecnologia no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), até 2024, 421 mil postos de trabalho serão criados no setor no país. No entanto, os cursos superiores da área formam menos de 50 mil profissionais da área anualmente. Ou seja, falta (muita) gente nesse mercado.

Logo, para suprir essa demanda, muitas empresas estão apostando que, sim, "santos de casa" podem fazer milagres. Por isso, resolveram investir na capacitação desses profissionais de TI. E esse é caso da XP Inc., plataforma tecnológica de investimentos, serviços financeiros e educação e dona das marcas XP, Infomoney e XP Corretora de Seguros, entre outras.

Para isso, a empresa vai atuar em duas frentes, mais precisamente em parceria com duas edtechs. A primeira é a Trybe, escola de tecnologia referência na formação de profissionais de TI; já a segunda é o recente anúncio de um investimento minoritário na Resilia, startup educacional que atua na inserção de jovens potenciais no mercado de trabalho a partir de cursos de programação e habilidades comportamentais.

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Mas como funcionará o programa de capacitação em cada uma? Nós explicamos nas próximas linhas.

Formação de diversos perfis

Em entrevista ao Canaltech, Marta Pinheiro, diretora de ESG da XP Inc., explicou como funcionarão os programas de formação da instituição a partir destas parcerias. Ainda dando os primeiros passos, a empresa busca, inicialmente, capacitar profissionais em Desenvolvimento, Big Data (Data Analytics e Cientistas de Dados) e Produto (Product Managers e derivados). E, mais para frente, a companhia também visa preparar especialistas em Segurança da Informação.

Mas, para além dos perfis técnicos, a XP Inc. busca profissionais que também tragam outras características:

"Buscamos pessoas que tenham um fit cultural muito grande com a XP, ou seja, estejam muito alinhadas com um espírito empreendedor, que tenham uma mente aberta e que queiram, de fato, evoluir dentro da companhia. Trazer uma vontade fazer acontecer", explica a executiva. "E acreditamos que esses dois programas serão muito úteis para entender quem são as pessoas que querem aproveitar essa oportunidade. Até porque ambos os programas terão bastante interação com os profissionais da XP. Ou seja, não ficaremos restritos apenas a aulas expositivas. Haverá um programa de mentoria efetivo acontecendo ". 

Para o próximo ano, por meio de seus programas de capacitação, a XP Inc. espera formar, no mínimo, 2.000 profissionais, a partir da parceria com as edtechs. No entanto, a instituição afirma olhar outras iniciativas, em conjunto com outras empresas, para formar um número ainda maior de especialistas. Mas isso só deve ocorrer a partir de 2022.

E como funcionarão os programas de formação com a Trybe e com a Resilia?

Trybe

A executiva da XP Inc. explica que cada programa formará perfis diferentes — mas complementares — de profissionais de TI. Na Trybe — cujas inscrições já estão abertas — para se certificar que as pessoas estudantes aprovadas para a primeira turma terão sinergia com a plataforma de investimentos, o processo seletivo tem uma etapa a mais. Além de formulário de inscrição, desafio prático (para o qual a Trybe oferece o material de estudo), testes online de raciocínio e uma entrevista virtual, pessoas interessadas também terão de responder a um questionário online de fit cultural da XP.

Esse processo seletivo selecionará 300 candidatos, que farão parte da chamada Turma XP. A seguir, eles passarão por um programa de formação intensivo, totalizando 1,5 mil horas de estudo (em um total de 12 meses), com aulas online e ao vivo e um mínimo de seis horas de atividades por dia, seguindo um currículo dividido em Fundamentos do Desenvolvimento Web, Desenvolvimento Front-end, Desenvolvimento Back-end, Ciência da Computação, Soft Skills e Metodologias Ágeis. Além disso, serão acrescentadas algumas especializações em tecnologias que a XP utiliza, como o dotNet.

"As pessoas que fizerem parte dessa turma terão 50% do curso pago pela XP*, sem contrapartida, ou seja ela não precisa estar contratada pela nossa empresa", explica Marta. "Mas ela também tem a oportunidade de participar do processo seletivo da companhia, durante o curso".

A executiva afirmou ainda que, caso haja necessidade, a XP também pode conceder um auxílio financeiro para o estudante, para que ele não tenha que trabalhar e fazer o curso paralelamente. No entanto, a concessão desse auxílio é analisado caso a caso, conforme a situação socioeconômica da pessoa. "Queremos que o foco seja realmente a formação e que o estudante tenha a tranquilidade para conduzir esse processo", disse Pinheiro.

Do total de alunos, a instituição espera selecionar 40% de pessoas negras e outros 30% a 40% de mulheres, focando muito na diversidade, tanto no curso, quanto nas eventuais contratações para os quadros da companhia.

As inscrições ao programa XP/Trybe podem ser feitas na página especial da iniciativa, clicando aqui. Sempre lembrando que elas devem ser feitas até o dia 22 de agosto. O início das aulas da primeira Turma XP está programado para o dia 18 de outubro.

Resilia

Como a XP Inc. realizou um investimento junto a Resilia, a parceria tem maiores dimensões. A empresa foca não apenas na formação profissional, mas também no desenvolvimento da instituição como um todo. Os programas de formação ainda não foram anunciados, o que deve acontecer em breve, mas de acordo com Marta Pinheiro, eles serão focados em Big Data, por exemplo, e também Desenvolvimento.

Com uma metodologia de ensino proprietária, a Resilia atende um perfil de alunos em que 65% concluíram ensino médio na rede pública, 75% não têm ensino superior e entre 60% e 65% têm renda mensal de até R$ 1 mil. A maior parte dos alunos se autodeclara não brancos (63%). Mulheres representam 40% do quadro. A XP vê potencial de qualificar mais de dois milhões de jovens em profissões digitais nos próximos anos.

"Estamos analisando também como conseguimos absorver algumas turmas que já foram capacitadas pela Resilia para participarem do processo seletivo da XP. Também estamos verificando como disponibilizar para essas turmas cursos de educação financeira. Ou seja, teremos uma série de ações que serão lançadas em breve". 

O desafio da retenção de talentos

Empresas que investem “na base” para formar profissionais de TI têm, além dos custos em desenvolvê-los, um risco adicional que é perdê-los para outras empresas. E essa prática é especialmente forte no setor de Tecnologia, uma vez que a demanda por especialistas é muito maior que a oferta. Logo, as propostas podem ser mais tentadoras.

Para a diretora de ESG da XP Inc. não há como "prender" os profissionais ou evitar que eles recebam propostas. Mas ela acredita que as empresas que não buscam entender quais são as necessidades dos colaboradores ou que eles buscam para suas carreiras certamente têm maior dificuldade de mantê-los em seus quadros.

"Hoje, os profissionais digitais, principalmente as novas gerações, têm outros valores. Elas querem trabalhar em empresas que tragam um propósito, onde elas tenham maior liberdade, autonomia, possam formar uma mentalidade mais empreendedora, uma cabeça de dono", analisa Marta. "Se conseguirmos comunicar o nosso propósito e permitir que nossos colaboradores sejam protagonistas dele, além de darmos os caminhos para que as pessoas continuem em constante evolução e desenvolvimento, com certeza elas escolherão permanecer na XP".

Cabeça de negócios

Ao selecionar os profissionais de TI para os seus quadros, a XP Inc. espera que eles tenham não apenas conhecimento técnico, mas também possuam uma cabeça de negócios. Ou seja, não basta apenas ser bom código. É preciso desenvolver soluções que ajudem a resolver as dores do cliente, mas, também, sejam rentáveis à empresa.

Para isso, Marta explica que, além da mentoria dada pelos profissionais da XP durante os cursos, todos os recém-contratados passam ainda por um processo de onboarding intenso. Nele, os novos profissionais têm uma visão de negócios de toda a companhia, o funcionamento das áreas, como elas se relacionam, questões de governança, etc.

"Nesse onboarding, que dura 45 dias, os novos funcionários têm uma visão ampla de toda a XP, de como a companhia funciona. Eles obtêm uma imersão da cultura e da visão estratégica da empresa, atuando junto ao atendimento, em diferentes squads, em áreas que têm relação com Tecnologia, como infraestrutura, produtos e backoffice. Enfim, eles conhecem todo o nosso ecossistema interno para, assim, ter condições de entregar as melhores soluções". 

*Como informado anteriormente, a XP pagará por 50% do curso feito pelos candidatos selecionados para a turma XP. A outra metade será paga pelo aluno apenas quando ele conseguir um trabalho cuja quantia permita pagar pelos estudos usando apenas uma parte da renda. Esse modelo leva o nome de Income Share Agreement (ISA) ou "Contrato de Compartilhamento de Renda".

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