MulheresTech | Elas levaram o aprendizado da maternidade à vida profissional

Por Stephanie Kohn | 29 de Maio de 2018 às 17h45
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Bárbara estava há mais de 10 anos na Intel quando decidiu engravidar. Mesmo com muito tempo de casa, rolou uma insegurança em ficar meses fora na licença maternidade. Mas na volta, ela se surpreendeu não só com a receptividade dos colegas, mas com ela mesma. "Eu sempre escutei que a maternidade mudava a vida da mulher, mas não tinha ideia do quanto. O trabalho em grupo, o olhar para o outro, foco e criatividade afloraram nitidamente. Todos perceberam", comentou a gerente de marketing da Intel Brasil.

Nada disso foi avaliado formalmente, mas a gerente foi elogiada pela forma como passou a conduzir os projetos e seus funcionários perceberam maior inclusão e liberdade nos trabalhos. "O feedback não vem com a etiqueta maternidade, mas sei que foi por causa da chegada da minha filha", reforçou.

Ela não é a única que notou mudanças positivas. Sandra Gouveia, diretora jurídica da SAP, se tornou mãe aos 34 anos e sem planejamento. Ela já tinha uma carreira sólida, mas acredita que evoluiu muito mais na profissão depois da experiência. "O olhar para o outro definitivamente mudou. Eu me preocupo com o funcionário, respeito o próximo e entendo que o reconhecimento e o elogio não podem ser econômicos", disse. "Entendo que cada um encontra a maturidade em um caminho. A minha veio me tornando mãe", completou.

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A gerente sênior de Marketing Corporativo da Salesforce para América Latina, Adriana Daga, atribui à maternidade sua inteligência emocional. Segundo ela, a chegada dos filhos faz as mulheres verem o mundo de outra forma. Prioridades mudam, assim como os valores. Por isso, hoje, ela dá muito mais valor às empresas com olhar humano, que permitem horário flexível e enxergam o indivíduo.

A executiva conta que o apoio das empresas faz muita diferença na experiência. No seu caso, ela estava há três meses na Salesforce quando engravidou. Por conta disso, se cobrou demais e acabou trabalhando muito mais grávida. "Fiquei com medo de contar. Eu não queria que ninguém falasse de mim. Fiquei quatro meses de licença e com dois meses comecei a trabalhar de casa. Na volta vi que estava sendo esperada e fui super apoiada", lembrou.

Em duas gestacões, Sandra diz ter tido boas experiências na volta ao trabalho, por isso, acha extremamente importante que as empresas deem atenção especial às mães que estão retornando às suas atividades pós-maternidade. A SAP possui um projeto de acolhimento, desenvolvido pelo grupo BIN (Business Woman Network), que une mulheres que estão voltando da licença maternidade às mulheres que passaram por essa experiência há pouco tempo.

"Trata-se de um coaching, uma forma de tornar esse momento de transição mais suave. Elas se sentem mais seguras e conseguem responder as principais questões como: será que terá espaço para mim ainda? darei conta de trabalhar e cuidar de um filho?".

Para Barbara, se o assunto fosse discutido de forma natural as mulheres não teriam tantos medos. Além disso, a licença paternidade estendida tem feito a diferença. "Vinte dias não equivalem a seis meses, mas o fato de a sociedade olhar para isso mostra que este é o rumo natural das coisas: homens e mulheres cuidando dos filhos", acrescentou.

O papel das empresas

Com isso, fica claro que as mudanças da maternidade podem trazer inúmeros benefícios à carreira, mas cabe as empresas apoiarem as mulheres em todas as etapas: da gravidez até a volta à rotina. Mas não é exatamente isso que acontece e os exemplos citados na matéria são raras exceções.

De acordo com a pesquisa “Empreendedoras e seus negócios” da RME, a maternidade é um grande gatilho para as mulheres buscarem o empreendedorismo. Na pesquisa realizada pela Rede Mulher Empreendedora no final de 2017, essa afirmação fica bem clara, já que de 55% das empreendedoras que são mães, 75% decidiram empreender após darem à luz.

Esse movimento ocorre por dois motivos: 55% das mulheres buscam mais qualidade de vida e flexibilidade de horário para conciliar a maternidade com o trabalho e 48% são demitidas após a licença maternidade, tornando o empreendedorismo, de certa forma, uma necessidade.

"Se na época eu tivesse acesso ao home office, certamente teria sido mais fácil para meus filhos, pois eles tiveram que ir para a escola muito cedo. Sou otimista e acredito que hoje, com o advento do trabalho remoto e o reconhecimento da importância do trabalho feminino, está muito melhor", finalizou Ana Cerqueira, ERP (Enterprise Relationship Manager) da Citrix Brasil.

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