O mercado de trabalho, os impactos da tecnologia e as tendências de carreiras

Por Colaborador externo | 25.03.2015 às 15:04

Por André Salerno*

Olhando para trás, especialmente nos séculos 19 e 20, as novas tecnologias exerceram um grande papel de mudança nos negócios e na forma de emprego de inúmeras pessoas. Boa parte delas trabalhavam na lavoura quando algumas máquinas foram introduzidas, forçando-as a se movimentarem em direção ao setor industrial.

Não tardou e um novo movimento foi observado nas indústrias quando a automatização delas fez com que os trabalhadores fossem deslocados para o setor de serviços. Como forma de explicitar esse movimento, na década de 50 nos Estados Unidos o setor industrial representava cerca de 40% dos empregos, hoje esse número não supera a marca dos 5%.

No Brasil, especialmente na década de 80, grandes transformações tecnológicas foram experimentadas, e um grande exemplo desse movimento foi o setor bancário. Era o setor de serviços experimentando as grandes transformações propagadas pela tecnologia. Isso resultou na implantação de inúmeros caixas eletrônicos, Internet Banking, aplicativos e demais funcionalidades. Mesmo com uma forte expansão que o setor bancário experimentou nesse período, não foi possível conter a redução do quadro de funcionários, que desde então caiu pela metade.

Diante desse cenário de grande transformação, como avaliar se minha carreira corre riscos? Segue abaixo algumas importantes reflexões:

Mercado de trabalho acirrado

O cenário econômico no Brasil emite sinais cada vez mais fortes de que esse ano de 2015 será bastante difícil, com uma possível recessão batendo em nossa porta. Alguns setores da economia, como as montadoras e autopeças, já dispensaram milhares de pessoas e os programas de demissão voluntária já fazem parte de alguns setores.

Com a economia "andando de lado", como garantir emprego para um contingente médio de 800 mil jovens por ano entrando no mercado de trabalho? Vale ressaltar que em 2014 foram gerados somente 150 mil novos postos de trabalhos, um dos piores resultados dos últimos dez anos. Resultado: como existe uma oferta muito grande de profissionais, isso força para baixo os salários, sem contar a grande concorrência percebida.

Carreira em risco

Os avanços da tecnologia estão trazendo grandes inovações e seus impactos já podem ser vistos em inúmeros setores. Por exemplo, no setor de serviços, alguns postos de trabalho estão sendo extintos pelo uso cada vez mais frequente dos softwares, ou seja, profissões estão virando programas de computador.

Um estudo desenvolvido pela Universidade de Oxford estudou cerca de 700 ocupações, e metade delas corriam o risco de serem extintas na próxima década devido ao uso da tecnologia. Embora esse estudo não tenha sido desenvolvido no Brasil, devemos nos atentar para essas tendências de funções desenvolvidas dentro de escritórios, como contadores, secretárias, operadores de telemarketing, entre outros.

Tendências

Hoje a integração do comércio entre os países e as práticas adotadas em cada um deles é muito maior. Face a essa menor barreira, as tendências em economias desenvolvidas devem servir de alerta para os mercados emergentes e demais economias.

Por conta disso, um estudo publicado por um órgão norte-americano de estatísticas de emprego (U.S. Bureau of Labor Statistics) destacou as ocupações que sofrerão maior taxas de crescimento entre 2012 - 2022 (veja ao lado).

É bastante compreensível que a área da saúde tenha as maiores taxas de emprego projetadas, e isso se dá por conta de uma população mundial com taxas cada vez maiores quanto a expectativa de vida.

Já as áreas relacionadas à tecnologia, as altas taxas projetadas de crescimento do emprego nesse setor se justifica pelo uso cada vez mais difundido de facilidades que presenciamos em nosso dia a dia, desde televisores mais integrados com a Internet, smartphones, e outros. Um profissional bastante analítico e com capacidade lógica é esperado nesse segmento, pois dado o grande volume de dados, o desafio é transformá-los em informação valiosa para a tomada de decisão.

*André Salerno é consultor estratégico e financeiro.