Crowdsourcing: futuro do trabalho é discutido na Campus Party

Por Rafael Romer | 29 de Janeiro de 2013 às 14h55

O Crowdsourcing já é uma realidade no Brasil e você já faz parte dela, querendo ou não. “Quando você avalia um livro na Amazon, usa o Google maps ou posta fotos no Flickr, você já está trabalhando para essas empresas”, afirmou Carl Amorim, criador da primeira iniciativa de Crowdsourcing de macrotarefas do Brasil, junto ao governo de Minas Gerais. O uso dessa ideologia para o teste ou desenvolvimento de plataformas de software foi o assunto da mesa “Crowdsourcing: o futuro do trabalho”, realizada nesta terça-feira (29) na Campus Party.

O Crowdsourcing, ou “fonte na multidão”, consiste na contratação, principalmente, de “usuários-testatores” para a verificação de bugs ou erros em programas desenvolvidos por uma empresa. No sistema, um cliente contrata uma empresa para avaliar um software desenvolvido por ele que, em seguida, distribui para usuários que podem testá-lo e receber uma remuneração em dinheiro conforme encontrem falhas no programa.

A vantagem do sistema é garantir agilidade, praticidade e um desenvolvimento mais democrático de software – já que o usuário-testador pode interagir com o desenvolvedor, apontando melhorias e recebendo por isso. “Já teve casos de empresas que ficaram felizes e tristes ao mesmo tempo com o Crowdsourcing. Felizes porque entregamos o resultado em duas ou três horas, mas tristes pela quantidade de erros encontrados”, conta Amorim.

A principal responsável pelo avanço do sistema de "terceirização" do trabalho foi a internet. “Antes, para contratar um logo você tinha que ir na empresa. Hoje você contrata pela internet: ‘Eu quero um logo X, com cores tal, que passa essa imagem’. E em uma semana, recebe 50 tipos de logo. E o cara pode estar em qualquer lugar do mundo: chinês, coreano, americano, brasileiro, nada disso importa”, explica Amorim. “Ele está ganhando dinheiro de formas que antes não eram possíveis”.

De acordo com Robert Pereira, que atua como patrocinador em projetos envolvendo ferramentas de testes de software, o modelo oferece vantagens para os três lados do triângulo: a empresa que faz o meio de campo entre quem requisita e quem realiza, para o cliente e para os testadores, que atuam com crowdsource. “Para a empresa é mais ágil, mais próximo do que ela quer estar. Para os consumidor [que realiza o trabalho crowdsource], abre o leque para quem não tinha a menor possibilidade de argumentar [com a empresa desenvolvedora], e de fazer uma renda extra. A flexibilidade é grande dos dois lados”, afirma. Ainda segundo Pereira, o crowdsource não deve substituir as formas atuais de remuneração do profissional, mas complementá-la. “É algo que ele vai fazer no tempo livre, por exemplo”.

Duas dificuldades ainda impedem o avanço do Crowdsourcing no Brasil: a falta de conhecimento sobre a plataforma no país e a falta de ferramentas para pessoas que possam operar as plataformas, através de, por exemplo, uma regulamentalção do setor. “Toda a regulamentação no Brasil hoje é voltada para a economia industrial. É voltada para o cara trabalhar em uma empresa, ela recolher impostos. Não existe uma regulamentação para o trabalhador da industria do conhecimento”, afirma Amorim ao Canaltech.

Segundo ele, é necessário que a classe se junte para pressionar o governo e orientar como deve ser a regulamentação. Apesar disso, o primeiro passo já foi dado: a criação do Microempresário Individual, que permite a abertura de uma empresa por uma pessoa com baixa tributação. “E eles não têm a menor ideia de como fazer isso”. “No Brasil tem lei que não pega, se você fizer a lei errada, ela não vai ser cumprida”, completa.

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