Campus Party: produtor comenta problemas de se criar jogos hardcore no Brasil

Por Leonardo Teixeira | 29 de Janeiro de 2014 às 15h30

Por que jogos nacionais parecem ter saído de um Super Nintendo? Por que brasileiros fazem games em inglês? Estas são perguntas (ainda que em versões mais racionais) que pipocam em seções de comentários e fóruns quando o assunto é desenvolvimento de games no Brasil. Para Sebastião Liparizi, game producer e CTO da Overpower Studios, empresa mineira especializada em games mobile para público hardcore, o problema com jogos de alto desempenho no país pode estar no fato de que o consumo brasileiro de produtos digitais ainda não está exatamente desenvolvido.

“Está na moda falar que o mercado digital está crescendo, e é verdade”, diz Sebastião em entrevista para o Canaltech, “só que ainda não representa muita coisa”. Segundo pesquisa da empresa e-Bit em agosto, o comércio digital cresceu 24% no Brasil na primeira metade de 2013, mas apenas 3,6% do público cativo das compras online gasta dinheiro em aplicativos móveis, fatia do mercado em que boa parte dos avanços de empresas nacionais está centrada. “Meu primeiro jogo, Scorching Skies, foi capa do iTunes por cinco meses no Brasil”, explica o game producer. “Eu fui top 10 em uma sexta-feira, que é um excelente dia para se estar entre os 10 melhores, mas o número de vendas deu em torno de 40 unidades. Isso não é nada”.

Overpower Studios

O jogo em questão foi lançado em 2012 no iTunes e, no momento desta publicação, conta com 4 estrelas de avaliação e um punhado de reviews positivos, mas recebem também alguns comentários sobre problemas de usuários que refletem a experiência com o app, que sofre de taxa de frame inconstante e rubberbanding. Além de Scorching Skies, a Overpower está nos últimos meses de desenvolvimento do simulador aéreo Aces High e criando o jogo de corrida Kill Metal Racing. Ambos chegam também para aparelhos Android.

Outro desafio enfrentado pela Overpower é se manter firme em um mercado que não exige menos que o excelente. “A principal mudança entre jogo casual e hardcore é como ele entrega conteúdo”, explica Sebastião. “Se você está fazendo um jogo de corrida, você tem que entregar produtos direto para aquele nicho, então você tem que criar um jogo de qualidade igual ou superior à do último lançamento desse gênero”. “Acho que o principal peso do hardcore está no desenvolvimento desse conteúdo: tem que ser mais extenso, mas, ao mesmo tempo, de uma qualidade absurda", conclui.

Além de comercializar mundialmente seus produtos – vendidos principalmente na Rússia, China e Coréia – a Overpower, que conta com cinco funcionários e um caixa mantido pelos próprios fundadores, está aproveitando a Campus Party para buscar parceiros de publicação de jogos e garantir notoriedade. “Quando as pessoas olham para o nosso jogo, acham que vem de fora, e dizem: 'gente, vocês fazem isso no Brasil? Essa empresa é daqui?'”, cita o producer. “Então a gente quer se apresentar, quer mostrar que a gente é sim brasileiro e também quer trazer mais apoio para a área de desenvolvimento”.

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